Campanha esquenta no rádio e na TV
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2002
Alexandre Rocha 
São Paulo Os telespectadores e ouvintes de rádio vão receber este ano uma verdadeira overdose de programação política. Além do horário eleitoral, que começa em 20 de agosto, devem ser transmitidas cerca de 17 horas de propaganda partidária no primeiro semestre. É uma dose cavalar, diz o consultor político e professor da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato. O número é a soma do tempo no rádio e na TV a que as 30 legendas do País têm direito.
Os programas partidários vão ao ar todos os semestres, mas às vésperas das eleições sua importância aumenta, já que podem influir diretamente no pleito. Para Gaudêncio, a programação, próxima a um período eleitoral, prejudica a vida normal do País, uma vez que antecipa a disputa e leva a sociedade a não focar problemas prioritários.
No último semestre o PFL, por exemplo, fez uma grande exposição da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, em seus programas. Gaudêncio diz tratar-se de um caso clássico de visibilidade antecipada de um eventual candidato. Após as inserções, Roseana subiu de maneira meteórica nas pesquisas de intenção de voto, ficando atrás apenas do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas isto é uma faca de dois gumes, alerta o professor. Em um primeiro momento há o crescimento mas, posteriormente, o eleitorado vai exigir discurso e, se não houver, a candidatura vai desaparecer, afirma Gaudêncio, para quem o eleitor amadureceu e está deixando de votar com o coração para fazê-lo com a cabeça.
O professor explica que, pela lei, os programas deveriam ser voltados para a apresentação de programas e idéias dos partidos, sem personalizações. Porém, segundo ele, as inserções são utilizadas para acirrar a competição partidária perto das eleições. Para Gaudêncio, isto mostra um pouco a fragilidade das instituições nacionais, na medida em que há um estado de não cumprimento da lei diante dos olhos vendados da Justiça Eleitoral.
O advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Torquato Jardim diz, porém, que nada impede a escolha de um porta-voz dentro dos quadros do partido, para apresentar os programas, embora a sigla não possa utilizá-los para pedir votos. Se a linguagem for despersonalizada não há impedimentos.
Com grande exposição na mídia, Roseana passou na frente de candidaturas mais conhecidas, como a de Ciro Gomes (PPS), que tenta consolidar-se como presidenciável. O partido de Ciro, no entanto, é pequeno e dispõe apenas do tempo mínimo de programa: dois minutos na TV e no rádio por semestre. As legendas maiores, por sua vez, contam com duas horas semestrais, divididas em 20 minutos de programa nacional, 20 estaduais, além de inserções tipo comerciais de 30 segundos e um minuto, totalizando 40 minutos em rede nacional e mais 40 em redes estaduais.


