Ela já é oficialmente permitida pela legislação eleitoral desde meados de julho deste ano, mas, ao que tudo indica, novamente a campanha de rua na Área Central de Londrina deve se acirrar mesmo nas três semanas finais do primeiro turno. Se em Curitiba o corpo a corpo com o eleitor ainda está morno (leia texto nesta página), no Calçadão londrinense era comum a cena dos auto-intitulados ''voluntários de campanha'' abordando pedestres, não raro sem sucesso, com materiais impressos dos mais diversos. Pelo que a reportagem da FOLHA ouviu de alguns eleitores, porém, esse tipo de propaganda não é mais tão convincente.
A concentração dos ''voluntários'' foi registrada sobretudo próximo à Avenida São Paulo, com barracas de adesivos, jornais, cartazes ou bandeiras de quatro candidatos ao Executivo. Ao longo do Calçadão, homens e mulheres com placas de candidatos a prefeito e vereadores completavam as ações, além dos próprios postulantes ao Legislativo.
Já no Calçadão e na Praça Marechal Floriano parte da campanha acabou despejada - mas fora de lixos, no chão ou sobre bancos públicos. O que acha desse tipo de campanha? ''Péssima, pois suja a cidade, que hoje está muito mais consciente'', comentou o consultor de vendas José Carlos de Barros. Já para o casal de professores de Educação Física Rodolfo e Luciene Furlan, jornais e adesivos são o de menos no momento de decidir o voto. ''Isso pode até fazer parte da campanha, mas não convence, de jeito nenhum'', disse ele. ''Até porque, a gente vota de acordo com o histórico do candidato'', complementou a esposa.
A reportagem conversou com o técnico de enfermagem Cláudio Pavaneli e com o porteiro Durval Manoel da Silva, que negaram jornais de candidatos. ''Como votamos fora, ver isso aqui no Calçadão é terrível'', opinou Pavaneli. ''E essa propaganda 'comercial' não define minha escolha'', concluiu Silva. Ao lado deles, uma senhora com blusa de mangas curtas, encolhida de frio e portando a placa de um candidato a vereador, no ombro, garantia valer a pena estar ali. ''Porque estava desempregada, né?''. Quanto ganha pela atividade? Um rapaz interveio e gritou: ''É voluntário''. ''É, sou voluntária'', repetiu dona Terezinha.
Com show agendado para o meio-dia, ao lado das barracas de campanha, a cantora londrinense Simone Mazzer encarou a ''concorrência'' dos alto-falantes eleitorais com bom humor. ''É uma concorrência desleal, mas faz parte da liberdade de expressão.'' Questionada se esse tipo de expressão lhe influencia o voto, porém, a artista foi taxativa: ''Sim. Se o candidato faz muita sujeira, desobecendo a lei para propagar que é isso, é aquilo, aí é que não voto mesmo'', definiu.

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