Arquivo FolhaCustoPadre Roque: deputado gastou R$ 17,3 mil em 94 e acredita que agora terá de gastar o dobro A campanha eleitoral de 1998 deve movimentar pelo menos US$ 2 bilhões (R$ 2,2 bilhões pelo câmbio comercial) no País - o equivalente a 137,5 prêmios pagos pela Mega Sena, que estava acumulada em R$ 16 milhões. A projeção é do jornalista Mauro Wu, de São Paulo, que fez os cálculos com base na prestação de contas dos candidatos às eleições de 1994. ‘‘A campanha será a maior e mais cara do período republicano’’, afirma o jornalista, que trabalha com marketing político e vai ministrar curso sobre o tema em Curitiba nos próximos dias 28 e 29, no hotel Lancaster. A promoção é da Schaffer Empreendimentos.
Wu diz que a campanha para deputado federal consumirá, em média, R$ 400 mil; R$ 1,5 milhão para senador; R$ 15 milhões para governador e R$ 35 milhões para presidente. Segundo o jornalista, estão em jogo 1.613 cargos, a maioria deles para as Assembléias Legislativas dos estados (1.045), além de 513 vagas para a Câmara dos Deputados, 27 para o Senado - que será renovado em 1/3 - e 26 cobiçadas cadeiras para os governos dos estados e do Distrito Federal. Tanta disputa irá se pulverizar entre os mais de 102 milhões de eleitores do País.
‘‘O desafio de disputar o voto de tanta gente, vender um ‘bom peixe’ e conseguir traduzir a mensagem e o programa vai consumir muito trabalho e dinheiro’’, garante Mauro Wu, que, no curso sobre ‘‘Marketing político e eleitoral’’ pretende enfocar 11 temas - da lei eleitoral e organização de campanha até a importância da comunicação. O custo da campanha também será abordado.
Os gastos com as eleições assustam até mesmo os candidatos de situação e oposição. ‘‘É muito dinheiro e ele está cada vez mais escasso. Andei pedindo dinheiro e as respostas são duras’’, reclama o deputado federal Roque Zimmermann (PT), o padre Roque. Para ele, comércio e indústria estão com ‘‘menos grana do que em 94’’.
Padre Roque diz ter gasto R$ 17,3 mil na campanha em 94, mas estima que precisará, de pelo menos o dobro ou o triplo desse valor para o pleito de outubro. ‘‘As dobradinhas são mais exigentes do que na campanha anterior e querem rachar as despesas’’, argumenta. Ele diz, porém, que o custo previsto para sua campanha ficará bem abaixo do que estima a bancada do Paraná - entre R$ 500 mil e 600 mil.
Ele promete baratear a campanha ‘‘fazendo só panfleto e cartazes muito simples’’. ‘‘Estou relativamente tranquilo porque já percorri 372 municípios do Estado, falei para centenas de milhares de pessoas e tenho mantido contatos permanentes’’, relata. ‘‘Estou mais ou menos como arroz de festa’’, completa.
O governista José Janene (PPB) diz que os cálculos do jornalista estão ‘‘corretíssimos’’. ‘‘A política pode até não movimentar tudo isso em volume de recurso, mas em gasto, com certeza’’, explica ele.
Em 94, o deputado afirma ter gasto R$ 430 mil com a campanha e estima aumentar os custos. ‘‘A campanha está mais cara e vai exigir mais. Pelo menos um 600 mil reais’’, prevê. Ele reconhece que está difícil angariar recursos. ‘‘A gente começa sem dinheiro, mas tem que ir metendo a cara. Faz dívidas, mas vai se dando um jeito.’’

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