Campanha deve movimentar R$ 2 bilhões
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sábado, 25 de abril de 1998
Patrícia Zanin 
Arquivo FolhaCustoPadre Roque: deputado gastou R$ 17,3 mil em 94 e acredita que agora terá de gastar o dobro A campanha eleitoral de 1998 deve movimentar pelo menos US$ 2 bilhões (R$ 2,2 bilhões pelo câmbio comercial) no País - o equivalente a 137,5 prêmios pagos pela Mega Sena, que estava acumulada em R$ 16 milhões. A projeção é do jornalista Mauro Wu, de São Paulo, que fez os cálculos com base na prestação de contas dos candidatos às eleições de 1994. A campanha será a maior e mais cara do período republicano, afirma o jornalista, que trabalha com marketing político e vai ministrar curso sobre o tema em Curitiba nos próximos dias 28 e 29, no hotel Lancaster. A promoção é da Schaffer Empreendimentos.
Wu diz que a campanha para deputado federal consumirá, em média, R$ 400 mil; R$ 1,5 milhão para senador; R$ 15 milhões para governador e R$ 35 milhões para presidente. Segundo o jornalista, estão em jogo 1.613 cargos, a maioria deles para as Assembléias Legislativas dos estados (1.045), além de 513 vagas para a Câmara dos Deputados, 27 para o Senado - que será renovado em 1/3 - e 26 cobiçadas cadeiras para os governos dos estados e do Distrito Federal. Tanta disputa irá se pulverizar entre os mais de 102 milhões de eleitores do País.
O desafio de disputar o voto de tanta gente, vender um bom peixe e conseguir traduzir a mensagem e o programa vai consumir muito trabalho e dinheiro, garante Mauro Wu, que, no curso sobre Marketing político e eleitoral pretende enfocar 11 temas - da lei eleitoral e organização de campanha até a importância da comunicação. O custo da campanha também será abordado.
Os gastos com as eleições assustam até mesmo os candidatos de situação e oposição. É muito dinheiro e ele está cada vez mais escasso. Andei pedindo dinheiro e as respostas são duras, reclama o deputado federal Roque Zimmermann (PT), o padre Roque. Para ele, comércio e indústria estão com menos grana do que em 94.
Padre Roque diz ter gasto R$ 17,3 mil na campanha em 94, mas estima que precisará, de pelo menos o dobro ou o triplo desse valor para o pleito de outubro. As dobradinhas são mais exigentes do que na campanha anterior e querem rachar as despesas, argumenta. Ele diz, porém, que o custo previsto para sua campanha ficará bem abaixo do que estima a bancada do Paraná - entre R$ 500 mil e 600 mil.
Ele promete baratear a campanha fazendo só panfleto e cartazes muito simples. Estou relativamente tranquilo porque já percorri 372 municípios do Estado, falei para centenas de milhares de pessoas e tenho mantido contatos permanentes, relata. Estou mais ou menos como arroz de festa, completa.
O governista José Janene (PPB) diz que os cálculos do jornalista estão corretíssimos. A política pode até não movimentar tudo isso em volume de recurso, mas em gasto, com certeza, explica ele.
Em 94, o deputado afirma ter gasto R$ 430 mil com a campanha e estima aumentar os custos. A campanha está mais cara e vai exigir mais. Pelo menos um 600 mil reais, prevê. Ele reconhece que está difícil angariar recursos. A gente começa sem dinheiro, mas tem que ir metendo a cara. Faz dívidas, mas vai se dando um jeito.


