O candidato Fernando Henrique Cardoso quer estrelar no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão no dia 19 com um programa muito mais jornalístico do que de marketing. Pelo menos a metade dos 11 minutos de cada programa eleitoral da reeleição será consumida em reportagens para informar ao eleitor as realizações do governo federal. Vem aí um candidato firme e sóbrio, como convém a um presidente, mas com a alegria indispensável a quem tem não só idéias, mas um trabalho a apresentar.
Além do bloco informativo, o programa terá também o bloco das promessas. O tom será propositivo, mas sempre atento à movimentação dos adversários. ‘‘Não será uma campanha morna: todos os programas, desde a estréia, serão aguerridos’’, avisa o assessor de marketing da reeleição, publicitário Rui Rodrigues. A idéia é provocar o debate em alto nível, sem deixar uma só acusação ou crítica sem resposta. Ao contrário, é Fernando Henrique quem vai para o ataque.
O presidente candidato gravaria ontem alguns blocos que serão testados em pesquisas qualitativas de opinião. Enquanto isto, uma equipe de jornalistas de rádio e televisão percorre o País entrevistando eleitores e documentando obras e ações do governo. Mais do que numa seção do tipo ‘‘o povo fala’’, o programa da reeleição vai investir no que os publicitários chamam de ‘‘o povo mostra’’. É o eleitor de Norte a Sul quem vai mostrar o que as ações do governo produziram de bom no seu dia-a-dia. ‘‘Iremos aos fatos, sem conversa fiada’’, antecipa Rui Rodrigues.
Para municiar Fernando Henrique e preparar o troco aos críticos do governo, a equipe de campanha fez também uma ‘‘blitz’’ sobre o comportamento das bancadas dos partidos adversários no Congresso. Os responsáveis pelo programa esperam, com isto, colher subsídios para responder às acusações.
Quando o assunto for a falta de investimento em obras sociais, o contra-ataque será um relato sobre o quanto os opositores de Fernando Henrique atrapalharam a vida do governo no Congresso, rejeitando as reformas destinadas a gerar recursos para investimentos. ‘‘Também vamos mostrar que algumas administrações petistas, como o governo do Distrito Federal, pintam e bordam com verbas federais’’, antecipa um assessor da campanha ao chamar a atenção para a ajuda do governo Fernando Henrique ao governo da capital.
A assessoria da campanha nacional da reeleição decidiu colar o programa do candidato Fernando Henrique na figura do presidente Fernando Henrique. ‘‘Abaixo o marketing e a traquitana, porque candidato não é um produto como sabonete’’. Para não cansar o eleitor e evitar mudanças de rumo no meio da campanha, nada de fechar um formato rígido de programa. Diversos blocos estão sendo criados para quebrar a monotonia dos programas eleitorais que, desta vez, poderão ser recheados com cenas de campanha de rua. Trata-se de uma novidade que o próprio Congresso proibira na lei eleitoral de 1994, temeroso do efeito positivo das imagens das Caravanas do PT sobre a candidatura Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, a televisão vai poder mostrar não só a fala solene dos candidatos como seus comícios pelo Brasil.

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