O Ministério Público Federal instaurou ontem procedimento criminal para investigar as denúncias de irregularidades nas contas da campanha de Cassio Taniguchi (PFL) à Prefeitura de Curitiba, no ano passado. Uma reportagem publicada terça-feira na ''Folha de São Paulo'' acusa o comitê do PFL de ter omitido R$ 29,8 milhões na prestação de contas do partido à Justiça Eleitoral.
Os procuradores da República de Curitiba solicitaram ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a documentação da prestação de contas oficial do PFL da campanha do ano passado. O Ministério Público Federal também expediu ofício ao jornal requisitando a cópia dos documentos que deram origem à reportagem. Segundo nota oficial divulgada ontem pelo órgão, todas as empresas citadas no suposto caixa 2 da campanha também serão investigadas.
O Ministério Público Estadual também irá investigar o caso. Segundo o procurador Munir Gazal, da Divisão de Crimes contra o Patrimônio Público, será feito um ''mutirão'' para realizar a investigação.
''As denúncias são graves, pois incluem a suspeita de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Estamos solicitando ajuda de outros promotores nas investigações, pois o teor dos documentos é muito abrangente'' afirmou Gazal.
O procedimento investigatório do MP estadual começou ontem com o testemunho do tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Jr. O tesoureiro confirmou ser sua a caligrafia nos documentos que apontam uma movimentação de R$ 33 milhões durante o período eleitoral. O comitê do PFL declarou ter gastado apenas R$ 3,112 milhões durante a campanha.
Além das investigações no Ministério Público estadual e federal, o caso pode chegar à Justiça Eleitoral Federal. A assessoria jurídica do deputado Ângelo Vanhoni (PT), derrotado por pouco mais de 26 mil votos na eleição para prefeito do ano passado, analisa a melhor estratégia judicial para enfrentar o prefeito de Curitiba. O advogado de Vanhoni, Daniel Godói, diz que serão analisadas as medidas tomadas pelo Ministério Público, e depois avaliadas futuras ações na Justiça Eleitoral Federal ou Estadual.
Vanhoni afirmou ontem que as denúncias apenas confirmam suas suspeitas de que os gastos da campanha de Cassio foram muito superiores aos declarados ao TRE. ''Nas vésperas da votação do segundo turno, a cidade estava tomada por cabos eleitorais do Cassio. Todos os hotéis estavam lotados. Nós já haviamos feito esta denúncia ao TRE, mas não possuíamos esses documentos em mãos para comprovar o fato'', explica o deputado.

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