Campanha de Cardoso começa no RS
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Christiane Samarco Agência Estado 
O presidente-candidato Fernando Henrique Cardoso vai começar a campanha da reeleição pelo Rio Grande do Sul, único Estado em que os aliados conseguiram reproduzir não só a coligação oficial entre PSDB, PFL, PPB e PTB, como a aliança informal que inclui também o PMDB do governador Antônio Britto. Segundo o coordenador político da campanha, Euclides Scalco, a primeira viagem está agendada para dia 18.
O presidente e o governador programam um ato conjunto das campanhas nacional e estadual da reeleição com uma concentração de simpatizantes das duas candidaturas no Ginásio de Esportes Gigantinho, em Porto Alegre. Na falta de uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os procedimentos de campanha em parceria com governadores que estão fora da coligação formal com o PSDB, Fernando Henrique fará aí o primeiro teste, pedindo votos para Britto na expectativa de que o governador retribua o gesto.
Vamos aproveitar o Rio Grande para testar os limites do presidente candidato nos palanques estaduais onde o candidato a governador não participa da coligação formal, confirmou ontem um dos advogados que dá consultoria jurídica ao comitê nacional da reeleição.
O conselho político sabe que não haverá uma manifestação formal do TSE estabelecendo regras para a propaganda do candidato nos estados porque a campanha eleitoral já começou. Por isso mesmo, a única alternativa é a de ir à prática e deixar que a Justiça se pronuncie sobre casos concretos.
O candidato Fernando Henrique vai restrigir sua agenda de viagens às sextas-feiras e sábados, reservando o resto da semana para a rotina de presidente no Palácio do Planalto. Scalco estuda ainda a possibilidade de incluir outras cidades ou até mesmo outro Estado na programação da próxima semana.
O coordenador trabalha com oito opções, além do Rio Grande, onde os aliados conseguiram se entender e produziram palanques harmônicos para Fernando Henrique: Paraná, Bahia, Alagoas, Ceará, Paraíba, Maranhão, Amazonas e Amapá. A idéia é a de evitar viagens para onde há conflito de interesses entre os aliados. O presidente estudará caso a caso, diz Scalco.
Gastos Antes de viagem ao Rio Grande, está prevista a primeira visita do candidato ao comitê nacional da reeleição, que já opera informalmente em Brasília há duas semanas. O comitê estadual de Porto Alegre também está montado e tem até coordenador escolhido em conjunto pelos aliados que apóiam a dupla reeleição: trata-se do ex-petista e atual presidente do PSDB gaúcho, Antônio Holfeldt. Dos 27 estados da federação, três designaram os coordenadores estaduais. Em Santa Catarina, o comitê da reeleição será comandado pelo tucano Francisco Kuster, e em São Paulo pelo ex-secretário Energia, Andrea Matarazzo.
Scalco disse ontem que a previsão de gastos de seu candidato não aumentou um centavo além do efetivamente estimado na eleição de 1994. Na eleição passada, o PSDB fixou para o candidato a presidente o limite de 65 milhões de URVs, a unidade monetária que serviu de base para o real, e outros 8 milhões de URVs para as despesas do vice-presidente. O total equivalia na época a CR$ 101,43 bilhões.
Os gastos efetivos com a eleição de Fernando Henrique somaram menos da metade do previsto - 33 milhões de URVs, até porque as previsões incluíram o segundo turno, que não houve. O PSDB repetiu, agora, o limite máximo de R$ 73 milhões para custear a campanha do presidente e do vice. Se decidisse corrigir os cruzeiros pela inflação dos últimos quatro anos, tomando-se como referência a média da variação do INPC, o limite de gastos saltaria para R$ 165,79 milhões, segundo Scalco.


