Campanha de 94 para deputado custou em média R$ 109 mil
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sábado, 26 de abril de 1997
Agência Folha 
As doações de campanha nas eleições para a Câmara dos Deputados, em 1994, mostram que as grandes empresas, principalmente bancos e empreiteiras, investem com segurança e despejam preferencialmente os seus recursos nos grandes partidos, como PMDB, PFL e PSDB.
Relatório do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com declarações de 427 deputados em 25 Estados registra gastos de R$ 46,6 milhões. Na média, cada campanha custou R$ 109 mil. O PMDB, o PFL e o PSDB receberam juntos R$ 28,6 milhões (61% do total). Somados ao PPB, PTB e outros partidos da base governista, as doações chegam a R$ 41,5 milhões (89% do total).
Os partidos de esquerda, PT, PDT, PSB e PC do B, receberam juntos apenas R$ 4,4 milhões (9,5% do total). Com 10% dos deputados eleitos, o PT recebeu 3% da verba doada por empresas e pessoas físicas. Na média, a campanha para eleger cada deputado petista custou R$ 32 mil. A média da campanha no PMDB ficou em R$ 130 mil. Mas as campanhas mais caras foram as do PSD (R$ 164 mil) e do PL (R$ 157 mil). Não constam do relatório do TSE, entregue ao deputado Paulo Bernardo (PT-PR), apenas os dados do Rio de Janeiro e Alagoas. Em outros Estados, parte das bancadas não fez até hoje a prestação de contas da campanha.
Com base no relatório da Justiça Eleitoral, elaborado pelo Siscra (Sistema de Controle de Recursos Arrecadados), Paulo Bernardo defende a implantação no país do sistema de financiamento público de campanhas eleitorais. Seria a forma de equilibrar a disputa eleitoral entre os partidos. Sem o financiamento público, os partidos de centro-direita levam nítida vantagem sobre os partidos de esquerda, afirma o deputado. Na avaliação de Bernardo, as declarações ao TSE não representam nem a metade do que foi gasto pelos candidatos. A maior parte não tem qualquer registro.
O ministro Luiz Carlos Santos (Assuntos Políticos), que recebeu doações no valor de R$ 476 mil nas eleições de 1994, concorda que deve haver alterações no financiamento de campanhas. Mas acrescenta: Isso tem que vir com a reforma partidária, eleitoral. Não adianta fazer nada isoladamente. Não sei qual o melhor caminho para o financiamento de campanha. Sei que esse não serve.
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), que recebeu R$ 447 mil em doações, disse que apóia qualquer iniciativa que dê maior transparência ao financiamento de campanha. O relator da Lei Eleitoral para 1998, deputado Carlos Apolinário (PMDB-SP), tem dúvidas sobre o financiamento público: Seria muito mais moral. Mas não sei como a população encararia, quando tem tanta gente passando fome.
Campeões As campanha mais caras foram registradas em São Paulo. Os deputados paulistas receberam R$ 11,8 milhões, um quarto do total no país. O custo médio da campanha ficou em R$ 177 mil. Entre os deputados que tiveram as campanhas mais caras no Estado estão Jorge Tadeu Mudalen (PPB) com R$ 495 mil, Delfim Netto (PPB) com R$ 487 mil, Luiz Carlos Santos (PMDB) e Michel Temer (PMDB).
Segundo o relatório do Tribunal Superior Eleitoral, a deputada Lídia Quinan (PMDB-GO) teria gasto R$ 765 mil nas eleições de 94. A assessoria da deputada afirma que ela teria gasto cerca de R$ 500 mil.
As campanhas mais pobres foram as de Sergipe. Os oito deputados do Estado receberam R$ 125 mil, ou R$ 15 mil em média. No Acre, a média foi de R$ 43 mil. No Amapá, ficou em R$ 28 mil.


