Campanha contra privatização ganha as ruas
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sábado, 24 de março de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
Faixas, protestos e a distribuição de dez mil velas marcaram ontem a manifestação de sindicatos e partidos políticos na Boca Maldita, centro de Curitiba, contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Dez barracas instaladas na altura da Avenida Luiz Xavier, em frente às Casas Pernambucanas, ofereciam para a população os abaixos-assinados que serão entregues aos deputados estaduais e ao governador Jaime Lerner (PFL).
O militante do PMDB, José Ribeiro, teve muito trabalho para atender todas as pessoas que pediam para assinar a listagem. O discurso é sempre o mesmo. A população está indignada com a venda da Copel e acha que isto vai afundar ainda mais o Estado, declarou ele, ao contar que a cada dez minutos consegue registrar entre 20 e 30 assinaturas em horários de grande fluxo de pessoas.
O construtor João Barbosa dos Santos, de 63 anos, assinou a lista numa das barracas instaladas na Boca Maldita. Eu acredito que a Copel tem que ser preservada. É parte do patrimônio do Estado. Tenho que fazer minha parte para ajudar a Copel, afirmou ele. A dona de casa Alice Maria de Souza, 40, fez um comparativo entre a Copel e o Banestado. Eles privatizaram o Banestado e os serviços pioraram. Além disto, muita gente ficou sem emprego. Vai acontecer o mesmo com a Copel, previu Alice.
O funcionário público aposentado, Paulo Alvarenga, 69, relutou para assinar a listagem apesar de ser contra a venda da Copel. Não adianta nada. Eles vão privatizar com ou sem o apoio da população, disse ele. Mesmo não acreditando na reversão da decisão palaciana, Alvarenga colocou seu nome no abaixo-assinado.
Uma das manifestações mais bem humoradas foi feita pelo Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge). Foram distribuídas velas e panfletos para as pessoas que circulavam pelo calçadão da Rua XV. As velas estavam com a inscrição A sua Copel do futuro. Foi apenas uma forma de simbolizar o que a privatização está fazendo com outros estados brasileiros e com outros países. Não queremos que no nosso Estado aconteça a mesma coisa, afirmou Luiz Carlos Correa Soares, vice-presidente do Senge.
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel está coletando assinaturas em 100 municípios. A previsão é conseguir um milhão de assinaturas contra a privatização da estatal de energia. O objetivo é pressionar o governo e os deputados estaduais a revogarem a Lei 12.355/98, que autoriza a venda da empresa.
Na próxima semana, será instalado um painel na Boca Maldita e outros grandes centros com os nomes dos deputados que são contra, a favor ou indecisos. Levantamento da Folha revela que 28 dos 54 deputados são contra, 19 estão indecisos e apenas sete favoráveis. A previsão do Executivo é realizar o leilão entre outubro e novembro. Mas dois projetos foram protocolados na Assembléia Legislativa prevendo a revogação da lei que permite a realização do leilão de venda da estatal de energia. Nenhum deles chegou ao plenário da Assembléia.
Na avaliação da oposição, Lerner só quer vender a Copel para socorrer as finanças. O próprio secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra já admitiu a existência de problemas de caixa no governo.


