Campanha contra a corrupção chega ao Paraná
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
André Amorim<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Foi lançada ontem, em Curitiba, a etapa estadual da campanha ''O que você tem a ver com a corrupção?'', uma ação que pretende aprimorar os mecanismos de combate à essa prática e incutir na população - principalmente nas crianças e adolescentes - valores positivos que possam favorecer uma cultura da legalidade. ''No Brasil é muito comum praticar aquela conduta do 'jeitinho''', comenta o procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio Sotto Maior.
A iniciativa da Associação Nacional dos Membros do Ministério Púlico (Conamp) conta com com apoio do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União (CNPG). Ela foi lançada em Brasília em março desse ano. No Paraná, a campanha tem o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Segundo Sotto Maior, após o lançamento do projeto, será instituído um núcleo para elaborar as medidas práticas da campanha, como cartilhas que serão levadas às escolas e ações institucionais para o combate à corrupção. Esse órgão contará com a participação de várias entidades, entre elas o Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Assembléia Legislativa e MP.
Uma das idéias iniciais que poderia agilizar esse processo, segundo o procurador geral, seria a criação de varas para tratar de crimes contra o patrimônio público nas principais comarcas do Estado. ''Tem crimes que são relevantes contra o patrimônio público que acabam em uma vara criminal junto com um monte de processos''.
Foi destacada na ocasião a atuação do movimento ''Pé Vermelho, Mãos Limpas'', surgido em Londrina em 1999 como reação da sociedade contra os casos de corrupção que culminaram no afastamento do então prefeito Antônio Belinati. Segundo o promotor Bruno Sérgio Galati - na época um dos responsáveis pela investigação do chamado caso AMA-Comurb -, essa situação não é típica só de Londrina. ''Temos (corrupção) em todos os municípios, em menor ou maior grau.'' Um dos principais problemas apontados por ele é a ''permissividade da justiça'', que permite que uma pessoa condenada volte à vida pública. ''Temos que separar o julgamento político do julgamento jurídico.'' Galati salienta que o primeiro deve ser feito pela sociedade, ao escolher seus governantes, já que o segundo pode demorar anos para ser finalizado.


