São Paulo - Você que ainda não se animou a colar adesivos em seu carro, a empunhar bandeirinhas de seu candidato ou a encarar caminhadas no corpo a corpo com ele. Você não está sozinho. A menos de um mês das eleições, o clima de campanha parece não contagiar as ruas como em outros anos. São poucas as manifestações espontâneas de apoio a esse ou aquele aspirante a cargos em 2011. E mesmo as pagas parecem ter diminuído.
O fenômeno tem explicações. Em 28 anos, desde as primeiras eleições diretas para governadores ainda sob o regime militar, em 1982, o Brasil passou por 14 eleições - sem contar o plebiscito sobre o parlamentarismo, em 1993, e o referendo do desarmamento, em 2005. O brasileiro voltou a se apropriar do voto, acostumou-se ao processo eleitoral novamente. ''Ninguém aguenta se manter ligado sempre. Faltando uns 15 dias para a eleição o clima esquenta'', diz Nelson Biondi, publicitário que trabalha com marketing político desde 1992.
Além disso, o ambiente fortemente ideológico que havia em 1989, por exemplo, não existe mais. ''Os partidos, inclusive o PT, forte em sua militância, se profissionalizaram'', explica Fernando Azevedo, professor de ciência política da Universidade Federal de São Carlos. Assim, a arena política migrou das ruas para a televisão, o rádio e a internet.

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