Quase 600 candidatos a deputado estadual e federal de 21 partidos consultados pela Folha, declararam ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), um teto de gastos médio de cerca de R$ 1,2 milhão por candidatura.
A previsão de despesas de cada candidato ainda não foi divulgada pela Justiça Eleitoral. Entre os partidos consultados, os postulantes das coligações PPS/PFL e PMDB/PSDB é o que mais devem investir nas campanhas. Os candidatos a deputado federal dos quatro partidos poderão gastar até R$ 3 milhões. Os que buscam as 54 cadeiras da Assembléia Legislativa registraram teto de R$ 1,5 milhão. O Psol, que se coligou na proporcional com o PSTU e PCB, registrou o menor teto: R$ 50 mil para todos os candidatos da chapa.
A prestação de contas das eleições de 2002 mostra que há um ''abismo'' entre a previsão de gastos e o total declarado como despesa pelos candidatos. A média de limite de gastos para a disputa pela Câmara dos Deputados entre as oito coligações consultadas pela Folha é de R$ 1,5 milhão, enquanto a média de despesas declaradas à Justiça Eleitoral por cinco parlamentares eleitos em 2002, foi de R$ 397 mil. Entre os candidatos a deputado estadual, a média estabelecida pelas oito coligações é de R$ 981 mil, mas cinco eleitos há quatro anos declararam ter gasto em média R$ 144 mil. A justificativa da maioria dos candidatos é que o valor estabelecido como limite é ''jogado para cima'' para evitar correções no registro ao longo do pleito.
Apesar das cifras milionárias, os candidatos garantem que não deverão utilizar o teto. ''Vou utilizar bem menos'', assegurou Félix Ribeiro (PMN), que tenta uma cadeira na Câmara dos Deputados com limite de gastos de R$ 500 mil. Para o presidente do PDT em Londrina, Barbosa Neto, que postula uma vaga de deputado federal, este ano os candidatos também terão dificuldades em arrecadar os recursos para a campanha. ''Estamos em um momento muito difícil, de recessão no país. Além disso, os empresário que colaboravam estão muito preocupados em fazer doação para políticos em função dos escândalos'', relatou.
O presidente do PT no Paraná, André Vargas, acredita que a campanha para a Câmara dos Deputados custe cerca de R$ 600 mil a R$ 700 mil. O teto do partido é de R$ 1,4 milhão. ''Os maiores gastos para um campanha de deputado é com gráfica e deslocamento, atos de campanha'', relatou.
Os valores declarados pelos partidos como teto de despesas superam significativamente os de 2002, apesar da minirreforma eleitoral, imposta este ano pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impedir a distribuição de brindes e a realização de showmícios para diminuir a influência do poder econômico nas eleições. Esse ''efeito colateral'' aponta que ''alguma coisa está errada'' na avaliação do sociólogo Cézar Bueno. ''Se aumentou (a previsão de gastos nas campanhas) em relação às últimas eleições e a legislação anterior era mais branda, alguma coisa está errada, ou o TSE não terá mecanismos para fiscalizar o processo, ou os políticos não acreditam na lei'', avaliou. ''Isso é muito estranho exatamente no momento em que a legislação, votada às pressas, tem por função moralizar o processo e evitar ou diminuindo a relação promíscua entre a política e o setor privado.''
Para Bueno, o fracasso da minirreforma aponta a necessidade da discussão em torno do financiamento público das campanhas. ''Se a gente quer tentar romper esse vínculo promíscuo entre Estado e agentes privados, o Brasil terá que adotar na reforma política o financiamento público das campanhas. O que está acontecendo reforça a tese que o financimento público pode tornar o processo mais ético e menos oneroso para a sociedade. Essa relação promíscua tem um custo e nós pagamos, os eleitores, com os cofres públicos'', alertou.

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