Está em curso uma articulação política para manter o grupo Inepar no Paraná e, por consequência, os empregos diretos e indiretos gerados pelo mesmo. A transferência da fábrica de capacitores e das atividades de engenharia da Cidade Industrial de Curitiba para Araraquara, no interior de São Paulo, o que deve ocorrer até o final de julho, foi confirmada em meados deste mês pela direção do grupo. O assunto já foi tratado de forma incipiente numa conversa reservada entre o governador Roberto Requião (PMDB); diretor presidente da Previ, o fundo de previdência privada dos funcionários do Banco do Brasil, Sérgio Rosa, que manifestou interesse neste sentido; e o deputado estadual Tadeu Veneri (PT). Para quem não lembra, a Inepar é uma das mais importantes empresas do Paraná. A crise financeira se arrasta há anos. O passivo da empresa, de acordo com direção, foi reduzido de R$ 1,4 bilhão em 1999 para R$ 450 milhões, pela venda dos ativos da empresa nos setores de energia e telecomunicações, e pela renegociação com credores.



Titãs


A eleição vai ser só em setembro, mas já está pegando fogo nos bastidores. A briga pelo comando da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) promete ser das mais acaloradas. Requião entrou na história e quer José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, fora da presidência, cargo que detém há 11 anos. Resquício da eleição passada, quando Carvalhinho, que é suplente de Osmar Dias (PDT) no Senado, injetou dinheiro na campanha de Alvaro Dias (PDT).


Estratégia


Rodrigo Rocha Loures pai, diretor da Nutrimental, é o candidato do governador e já está buscando apoios junto ao empresariado, assim como Carvalhinho. Rocha Loures tem ainda o apoio do secretário de Estado da Indústria e Comércio, Luiz Mussi, que também foi cogitado para concorrer, tese que perdeu força. Os aliados de Rocha Loures estão com o discurso pronto. Se houve renovação no governo federal e no estadual, é hora também de renovação na Fiep.


Reflexos


O escândalo das multas de trânsito, que movimenta os bastidores da política em Curitiba nas últimas semanas, vai ser usado na campanha eleitoral do ano que vem. O candidato do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), é quem, sobretudo, vai ter de arcar com o ônus. Afinal, nos dois casos de perdão dos deputados e dos motoristas das empresas do transporte coletivo ficou claro que a Companhia de Urbanização (Urbs), responsável pela fiscalização do trânsito, agiu com parcialidade.


Escaldada


A nova diretora da Urbs, Yára Eisenbach, tem jogo de cintura suficiente para desviar qualquer torpedo. Por isso foi nomeada por Cassio, para pôr fim à crise interna gerada com as denúncias de desconto de multas para deputados e perdão de multas para as empresas do transporte coletivo.


Ficha


Yára trabalhou na Secretaria de Estado do Meio Ambiente, durante o governo Jaime Lerner (PFL), com tema espinhoso: a nova legislação que taxa o uso da água no Estado. Outro abacaxi descascado pela atual diretora da Urbs foi a proposta orçamentária do Paraná para este ano. Yára assumiu na última hora, durante o governo passado, a Secretaria de Estado do Planejamento, no lugar de Miguel Salomão.


De olho


Requião pode até dizer que concorda integralmente com as reformas previdenciária e tributária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde que, quando o assunto for ICMS da energia elétrica, passe a valer o princípio de tributação na origem, o que evitaria uma perda anual de R$ 600 milhões aos cofres públicos do Paraná.


Oportunidade


O PFL vai ter oportunidade para se defender dos ataques que a administração do ex-governador Jaime Lerner (PFL) vem recebendo do atual governo. O partido apresenta nos próximos dias seu programa no horário eleitoral gratuito reservado aos partidos políticos. Não está decidido ainda se Lerner fará um pronunciamento. Até porque o ex-governador deixa transparecer que não está nem aí para o PFL, partido no qual nunca se sentiu à vontade.


Perguntinha


A saída Fric Kerin da Urbs tem alguma coisa a ver com o escândalo das multas, ou os puxa-sacos de plantão vão fingir mais uma vez que o desligamento estava programado?

Leandro Donatti e sucursais
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