Curitiba - A autofagia da política paranaense é velha conhecida de quem acompanha a história. No caso dos atuais candidatos ao governo do Estado, tem como coadjuvantes todos os principais nomes da disputa, com exceção de Beto Richa, ainda calouro nesses assuntos.
Voltando os olhos para a história recente da política no Estado, nos últimos 20 anos, pode-se notar que os caminhos dos candidatos inúmeras vezes se cruzaram. Roberto Requião era deputado estadual quando em 1985 venceu a convenção estadual do PMDB, com o apoio do então senador Alvaro Dias, e depois as eleições à Prefeitura de Curitiba, com o apoio do então governador José Richa.
Em 1990, Alvaro chegou a deixar de concorrer ao Senado, para garantir a eleição de seu sucessor Requião. Nesta época, Alvaro e Requião já estavam rompidos com Richa. No governo, Alvaro denunciou irregularidades em relação ao Banco Del Paraná, extensão do Banestado no Paraguai, durante o governo Richa. Em sua campanha ao governo do Estado, Requião divulgou que Richa recebia pensão vitalícia de ex-governador. Em abril de 1994, meses antes do final de seu mandato, Requião desincompatibilizou-se para concorrer às convenções presidenciais do PMDB. Derrotado por Orestes Quércia, o senador dedicaria-se então a sua eleição para o Senado, sem se envolver na campanha de Alvaro ao governo do Estado.
Alvaro esperava ter retribuído o apoio dado a Requião em 1990, mas isso não ocorreu na intensidade que desejava. Requião não fez campanha contra, nem a favor. Em 1998, foi a vez de Alvaro dar o troco e não se engajar na campanha de Requião, que foi derrotado por Lerner na briga pelo governo. Alvaro teria firmado nos bastidores um pacto com o PFL de Lerner, que ficou conhecido como ''acordo branco''. O partido de Alvaro não lançou candidato ao governo e o de Lerner não teve candidato ao Senado, o que impediu que os dois (Alvaro e Lerner) se atacassem na campanha.
A briga entre Rubens Bueno e Alvaro Dias aconteceu em 1997, quando Lerner tentou entrar no PSDB, partido dominado na época por Alvaro. Outro fato que pode ter contribuído para o afastamento deles foi a indicação de Alvaro Dias pelo então ministro das Telecomunicações, Sérgio Motta (PSDB), no mesmo ano, para presidir a Telepar, cargo postulado por Bueno.
Giovani Gionédis, por sua vez, foi demitido do governo Lerner no final de 2000. Um dos motivos teria sido o apoio dele à iniciativa da coordenação de campanha de Cassio Taniguchi (PFL) e Beto Richa à Prefeitura de Curitiba de deixar o governador fora do horário eleitoral gratuito. A popularidade do governo, na época, estava em xeque. A outra razão seria que o governador teria perdido a confiança no seu homem forte e também teria sido aconselhado a demiti-lo por concentrar muito poder no governo. (M.K.)

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