Caminhoneiros podem iniciar mobilização
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sábado, 28 de junho de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região (Sindican), Carlos Roberto Dellarosa, disse à Folha que os caminhoneiros podem iniciar uma grande mobilização se a encampação resultar na piora das rodovias que compõem o chamado Anel de Integração. ''Se piorar o serviço, nós temos uma grande arma nas mãos: vamos transitar nas rodovias sem pagar nada. Vamos ignorar as praças de pedágio'', prometeu o líder sindical.
Dellarosa não poupou críticas ao governador Roberto Requião. ''A postura do governo estadual é preocupante. Ele disse que reduziria a tarifa pela metade e recuou poucas horas depois. Agora o que se pode esperar é uma troca de favores entre as duas partes. A tarifa não deve cair o suficiente. Acreditamos que a redução não chegará a 40%''.
Outro ponto questionado pelo sindicalista é a falta de transparência nas negociações. Segundo ele, pelo serviço que está sendo prestado hoje (''Só estão roçando e pintando''), a tarifa dos pedágios poderia ser reduzida em 70%. ''É muito dinheiro e não está indo tudo para as rodovias. Com certeza''
O presidente do Sindican também reclamou do descaso do governo estadual com a malha não-pedagiada. ''Continua em péssimo estado e esta gestão ainda não tapou um buraco'', atacou.
O comerciante Arlindo Rodrigues, dono de uma pequena lanchonete à margem da BR-376, em Califórnia, passou o segundo semestre do ano passado defendendo a revisão nos contratos entre concessionárias e governo do Estado. Esta semana, ele comemorou a aprovação parcial da encampação das praças.
''Foi o momento mais feliz desde que criamos a Associação'', disse, referindo-se à Associação dos Comerciantes das Margens das Rodovias do Estado do Paraná, um microentidade que congrega 57 donos de pontos de venda em paradas do Anel de Integração, fundada em janeiro de 2001 com o intuito de forçar compromissos políticos contra o abuso nas cobranças das tarifas. De acordo com uma estimativa da entidade, o faturamento dos pontos de venda localizados às margens das antigas rodovias federais caiu entre 30 e 60%.
Durante a campanha para governador, a entidade decidiu acompanhar os discursos de todos os candidatos e escolher a postura mais indicada para quem queria a redução das tarifas. Segundo ele, fez 350 participações em programas de rádio, TV e reportagens de jornal, em algumas vezes, contactando diretamente os candidatos ''Fizemos eles demonstrarem suas posições''.
A famosa frase de efeito de Requião (''Ou baixa ou acaba'') sobre o tema, foi decisiva para o apoio da associação à sua campanha. ''A população tem que ficar atenta e apoiar o governador, porque certamente haverá uma batalha judicial'', prevê.
''Reduzir 30% não vai resolver nada. Tem que ser pelo menos a metade do valor de hoje'', reivindica. Rodrigues também defende o reaparelhamento do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a melhoria da malha não-pedagiada. ''O dinheiro do IPVA é suficiente, basta ser bem administrado e não ter desvio de finalidade''. Outra bandeira da entidade é que a cobrança em algumas praças seja temporária, até que duplicasse o trecho.


