Caminhoneiros insatisfeitos com presidente
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sexta-feira, 16 de julho de 2004
Ricardo Mignone<br>Agência Folha 
Brasília - As entidades sindicais e patronais que representam os caminhoneiros e empresas transportadoras saíram divididas de uma reunião ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A maior parte, que integra a Frente Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, concordou com os argumentos de Lula, de que o governo vai liberar mais dinheiro para recuperar rodovias. Já a Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), não saiu satisfeita do encontro e manteve o indicativo para uma paralisação por 72 horas neste mês.
Logo após a audiência com Lula, as entrevistas já demonstravam a divisão do movimento.
''O que o presidente falou é aquilo que nós todos ouvimos em todas as reuniões e discursos dele. Ele tem boa intenção. Eu respeito isso, mas tem certas coisas que tem que mexer na ferida porque senão não funciona. Eu não vi essa disposição em relação ao que estamos reivindicando. Não mudou nada (sobre a greve). Na minha cabeça isso não mudou nada'', disse José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam
As demais entidades, como a União Brasil Caminhoneiro, a União Nacional dos Caminhoneiros e as empresas do setor, afastaram a possibilidade de paralisação.
''No meu entendimento, quero crer que a paralisação está bastante esvaziada'', disse Nélio Botelho, presidente da União Brasil Caminhoneiro. Sobre a declaração de Fonseca ele afirmou que ''cada um tem o direito de ter sua opinião própria''.
Documento - Os caminhoneiros querem que o governo cumpra a lei que determina o uso de 40% da arrecadação da Cide (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para a manutenção e restauração de rodovias.
Se o indicativo for mantido, os aproximadamente cem mil profissionais do setor filiados à Abcam cruzarão os braços por 72 horas, nos dias 25, 26 e 27 deste mês.


