Rogério Gonsales do Nascimento e Cleusa Maria da Silva, ex-presidentes respectivamente da ONG Canaã e da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), entidades representativas dos comerciantes do Shopping Popular (região central de Londrina), prestaram depoimento ontem à tarde na Promotoria de Defesa do Consumidor, que desde março de 2003 investiga as circunstâncias em que foi definida a empresa que fez a reforma do imóvel do Shopping, finalizada no ano passado.
À época, o local sofreu alterações para receber os camelôs, que até então trabalhavam na Rua São Paulo e na Avenida Leste-Oeste. A empresa que realizou as obras foi a AG Empreiteira, e o valor do contrato foi fechado em R$ 144,6 mil, pagos pela prefeitura. Segundo o promotor Jorge Fernando Barreto da Costa, o Ministério Público (MP) investiga a destinação dessa quantia, se o valor acertado estava acima do necessário para a reforma, se houve direcionamento na escolha da empresa que realizou o trabalho e a legalidade do repasse do dinheiro para as entidades representativas dos camelôs.
Cleusa afirmou que a AG foi indicada pela direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que teria pressionado para que os camelôs assinassem o contrato com a empreiteira. ''Eles nos diziam que havia um prazo para sair a verba e que tínhamos que fazer a reforma logo'', disse a comerciante. Segundo Cleusa, uma comissão composta por representantes das duas entidades aceitou a indicação.
A camelô comentou que foram erguidas paredes de gesso acartonadas por sugestão da CMTU, enquanto parte dos camelôs preferia madeirite. Costa citou que o MP irá apurar se a opção da companhia foi a mais viável financeiramente. Representantes da CMTU e da AG devem ser chamados para depor.
O secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, que na época da reforma era presidente da CMTU, disse que a empreiteira foi escolhida porque apresentou o melhor preço numa cotação de mercado, na qual várias empresas foram consultadas e três ofereceram orçamentos. ''O processo foi assessorado pela companhia. O contrato era dos camelôs'', disse Sella, que afirmou que a CMTU sugeriu as paredes de gesso porque era ''a opção mais ágil''. O secretário confirmou que a companhia tinha pressa, já que havia risco de perda da verba.
O proprietário da AG Empreiteira, Genivaldo Dias de Souza, informou que um funcionário da companhia lhe telefonou e perguntou se tinha interesse em dar um preço. ''Quando entreguei o orçamento, comentaram que outras duas ou três empresas também tinham dado preço. Fui o vencedor'', afirmou.

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