Cameli nega compra de votos e desmente Mendes
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Agência Estado 
Brasília
O governador do Acre, Orleir Cameli (sem partido), negou ontem, em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ter comprado votos de cinco deputados do Acre pró-reeleição. Ele desmentiu também afirmação do governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), que na segunda-feira disse não ter participado de nenhuma reunião política na véspera da votação da emenda da reeleição na Câmara.
De acordo com Cameli, Amazonino não deve ter lembrado, mas participou com ele e outros 13 governadores de uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso um ou dois dias antes da votação. Ao desmentir seu envolvimento na compra de votos, Cameli recordou que, segundo a imprensa divulgou na época, o voto do deputado Chicão Brígido, do PMDB, um dos que estão sob investigação por suspeita de vender seu voto, foi conquista do prefeito de Rio Branco, Mauri Sérgio.
O governador garantiu não ter conversado com Zila Bezerra (PFL-AC) nem com Osmir Lima (PFL-AC), outros dois deputados sob investigação, sobre seus votos. Quem conversou com Zila, segundo Cameli, foi o presidente da República. Disse que Zila sempre foi oposição a ele, mas Osmir Lima não. Ele relembrou que brigou com Lima no primeiro turno, mas no segundo Osmir o apoiou, depois tornou-se chefe da Casa Civil do governo do Acre. Também, se ele não seguisse minha orientação, seria muita ingratidão dele, disse Cameli.
O governador do Acre afirmou ainda, na CCJ, que durante os dois anos em que está no cargo teve quatro ou cinco audiências com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a maioria delas acompanhado da bancada federal do Acre, para tratar da construção de estradas. Entretanto, à reunião com os demais governadores e o presidente, na véspera da votação da emenda da reeleição na Câmara, disse ter ido sozinho. Cameli se recusou a dizer de quem suspeita seja o Senhor X das gravações em que seu nome foi envolvido.
Quanto à empresa suspeita de ter pago os votos dos deputados, por intermédio de Eládio Cameli, seu irmão - a Marmud, também suspeita de fazer obras no Amazonas em troca da entrega de contratos no Acre a uma empresa do governador Amazonino Mendes -, Cameli garantiu nunca houve troca de favores com Amazonino. Segundo o governador, a Marmud presta serviços na região e ao Amazonas desde 1983, tendo trabalhado até pela Petrobrás. Alegou que nada mais tem a ver com a empresa. Ao assumir o governo do Acre, disse, transferiu seus 33% de participação acionária para seu pai e para o irmão Eládio.


