Curitiba - O deputado estadual Fábio Camargo (PTB) e aliados do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), na Assembleia Legislativa, acabaram protagonizando ontem um bate-boca no plenário. A briga começou quando Camargo levantou novas suspeitas de irregularidades na campanha eleitoral que reconduziu Beto à Prefeitura de Curitiba, no ano passado. Camargo disse na tribuna da Casa que o PSDB não declarou à Justiça Eleitoral supostas doações feitas por uma empresa que teria se beneficiado por atos administrativos do Executivo local. O petebista não falou qual era a empresa, alegando que provas estariam de posse da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), que investiga desde o último dia 12 verbas supostamente não declaradas pela campanha eleitoral tucana, envolvendo o Comitê Lealdade, criado por dissidentes do PRTB.
A investigação foi aberta a partir de uma representação protocolada pelo ex-funcionário do Executivo Rodrigo Oriente, que trabalhou dentro do Comitê Lealdade. Camargo também afirmou ontem que Oriente possui uma gravação na qual apareceria aliados de Beto oferecendo dinheiro a ele, em troca de silêncio. A fita também estaria com a PRE.
O líder da bancada do PSDB na Casa, Ademar Traiano, disse que Camargo estaria ''agindo assim'' porque ''tomou uma surra nas eleições''. Camargo se aliou ao PRTB para disputar a Prefeitura de Curitiba. Já o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) disse que o petebista ''nunca foi tão infeliz num pronunciamento''. ''Vossa excelência está se submetendo a vontades políticas alheias, porque sabe que Beto é honrado'', defendeu Rossoni. A troca de ''farpas'' ocupou a maior parte do tempo destinado a discursos.
A assessoria de imprensa da PRE informou ontem que não se manifestaria sobre as suspeitas. Em nota, o advogado da coligação encabeçada pelo PSDB, Cristiano Hotz, disse que ''em nenhum momento'' aliados do Beto propuseram ''tal negócio'' a Oriente. Hotz também critica o petebista: ''O deputado, montado na sua imunidade, e em estado delirante, acusa sem provas e com irresponsabilidade''.

Nomeação
Ontem, a prefeitura de Curitiba anunciou a nomeação de Michele Caputo Neto para o cargo de secretário municipal de Assuntos Metropolitanos, que era ocupado por Manassés Oliveira, um dos dissidentes do PRTB. Numa gravação que se tornou parcialmente pública no último dia 21, Manassés aparece recebendo dinheiro e assinando recibos para terceiros dentro do Comitê Lealdade. Com base na gravação, Beto determinou a exoneração de Manassés.
Desde o início do ano, Caputo ocupava o cargo de assessor especial de Assuntos Comunitários.

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