O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu ontem, em reunião no Palácio da Alvorada com os coordenadores políticos e os líderes do PFL e PSDB, manter a votação da emenda da reeleição no plenário da Câmara para a próxima semana, apesar da proibição do PMDB de votar a emenda antes de fevereiro. ‘‘O presidente deixou claro que não vai mudar de posição caso o PMDB não se sensibilize’’, disse o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), ao final do encontro.
Na mesma reunião, das 13h30 às 16h30, foi formada uma tropa de choque chamada de ‘‘Núcleo de Coordenação da Tese da Reeleição’’ com a missão de usar seu prestígio e os meios de pressão política disponíveis para garantir a vitória da emenda em plenário. Também estavam no encontro o vice-presidente da República, Marco Maciel, o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), os ministros da Justiça, Nelson Jobim, e das Comunicações, Sérgio Motta, além do presidente do PFL, deputado José Jorge, do presidente de honra do partido, Jorge Bornhausen, e do líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP).
A primeira atitude do núcleo, segundo contou Inocêncio, foi fechar questão, com o aval de Fernando Henrique, sobre o apoio ao senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para a presidência do Senado e ao deputado Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara. A disputa em torno dos dois postos tem causado estragos na estratégia do governo de aprovação da emenda. ‘‘Todos concordamos que essa é a melhor fórmula para manter o equilíbrio de forças no Congresso, para manter o bom desempenho das duas Casas e para preservar a melhor relação possível do Legislativo com o Executivo’’, disse Inocêncio.


Governo definiu
apoio a ACM para o
Senado e Temer para
presidência da Câmara


O líder do PFL tentou descaracterizar a nova ofensiva do Planalto como um confronto com o PMDB, que decidiu na convenção nacional feita no dia 13 adiar para fevereiro a decisão sobre a reeleição. ‘‘Temos votos suficientes para aprovar com expressiva folga essa matéria no confronto de plenário’’, garantiu Inocêncio. Ele disse que a reeleição é o primeiro item de uma ampla reforma política pretendida pelo governo e que ao manter o calendário da votação ‘‘o presidente quis sinalizar que não aceita o jogo de pressões nem vai ceder a barganhas’’.
Conforme seu relato, Fernando Henrique está convencido de que, sem reforma política e sem a reeleição resolvida, todas as outras reformas, até mesmo a econômica, estarão prejudicadas e o País fica paralisado. ‘‘Não adianta reforma econômica, social, da Previdência ou administrativa’’, enfatizou Inocêncio. Os números apresentados ao presidente, disse o líder do PFL, convenceram-no de que ‘‘o governo já tem hoje maioria de votos expressiva para aprovar a emenda da reeleição’’.
O líder do PFL não quis revelar os números. Disse também que o núcleo procurará o PMDB neste fim de semana para um último esforço tentando reverter a posição refratária do partido. ‘‘Esperamos contar com o apoio maciço do PMDB e ainda há tempo suficiente para negociar o entendimento.’’ As projeções do núcleo e a decisão em torno do calendário valem apenas para o primeiro turno da votação, conforme ressalvou o líder do PFL. A votação em segundo turno ficará para fevereiro, quando a Câmara já terá novo presidente.

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