Câmara vota relatório que denuncia vereador
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quarta-feira, 15 de abril de 1998
Luciane Tonon 
A Câmara de Vereadores de Wenceslau Braz (117 km ao sul de Jacarezinho), agendou para ontem a noite a votação do relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apurou denúncia de envolvimento do presidente do Legislativo, Ariozil Ferreira (PTB), na compra de um terreno, supostamente superfaturado, onde seria instalada uma Vila Rural no município. A prefeitura desfez o negócio. Ferreira, que foi afastado da presidência, negou que tenha recebido comissão.
Os membros da CEI informaram ter encontrado irregularidades na aquisição do terreno, mas não quiseram adiantar o resultado do relatório, que será remetido ao Ministério Público. A denúncia contra o vereador foi feita pelo proprietário da terra, Adelino Rodrigues dos Santos, de Ibaiti, que acusou Ferreira de ter recebido R$ 19,5 mil pela negociação da área de 15 alqueires.
Segundo Santos, o vereador e o corretor João Menegon pediram que ele assinasse uma promissória em branco, que depois foi preenchida no valor de R$ 18 mil, e ainda dar um cheque de R$ 1,5 mil para liberação das terras que estavam com um arrendatário. A CEI localizou a promissória e o cheque, mas o cheque não era nominal. Eles me pediram comissão de R$ 300,00 por alqueire negociado, o que daria R$ 4,5 mil. Pensei que a promissória que assinaria seria para este valor. O terreno foi oferecido para a prefeitura a R$ 5,3 mil o alqueire, esclareceu Santos.
O vereador justifica que a acusação é fruto de uma armação política, pelo fato dele ter pretensão de ser candidato a prefeito. Na verdade, apenas acompanhei o corretor de imóveis João Menegon, ele sim estaria ganhando comissão sobre o negócio, disse Ferreira.
Em seu depoimento à CEI o corretor João Menegon inocentou Ferreira. O vereador não teve participação direta na transação, declarou. Menegon explicou que a venda do imóvel foi fechada por R$ 60 mil, em negociação direta entre ele e o proprietário. O terreno, portanto, seria revendido à prefeitura a R$ 5,3 mil o alqueire, o que representaria um acréscimo de R$ 19,5 mil ao preço pago. Segundo o corretor, o proprietário não quis fazer negócio direto com a prefeitura e ele se propôs a comprar o terreno e depois revendê-lo.
A CEI ouviu também a prefeita Carolina Batistão de Souza (PFL), que cancelou a compra da área ao ser informada sobre a forma como foi feita a transação. A prefeitura adquiriu outro terreno de 16 alqueires, pelo mesmo valor de R$ 79,5 mil.
O jornalista Sivano Ribeiro, da Folha Brazense, registrou queixa-crime ontem na delegacia contra o escrivão do Fórum Gilberto Gil. Ele o acusa de ameaça de morte e agressão verbal, ocorridas na sessão de anteontem da Câmara. Ribeiro diz que desde que a denúncia foi publicada, no dia 2 de abril, vem recebendo ameaças de morte. O delegado Dirceu Damasceno informou que pretende ouvir as testemunhas e o acusado ainda esta semana. (Colaborou Patrícia Zanin)


