Brasília - Depois de absolver sete deputados acusados de envolvimento com o esquema do mensalão, a Câmara decide hoje se cassa o deputado José Mentor (PT-SP), acusado pela CPI dos Correios de envolvimento no esquema do mensalão. O processo dele chega ao plenário com pedido de perda de mandato aprovado pelo Conselho de Ética, mas sem que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, tenha incluído o nome do parlamentar na relação dos 40 pessoas denunciadas ao Supremo Tribunal Federal sob acusação de formação de uma organização criminosa que desviou recursos públicos para negociar apoio político e custear gastos de campanha.
  Mentor recebeu R$ 120 mil de empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como um dos operadores do mensalão. Em sua defesa, o deputado argumenta que o dinheiro foi recebido a título de pagamento de consultoria prestada por seu escritório de advocacia José Mentor, Pereira Melo e Souza à empresa de Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério. Mentor também argumenta que as notas fiscais pelo serviço foram emitidas e os impostos respectivos recolhidos na época em que a consultoria foi prestada. O primeiro relator do processo de Mentor no Conselho de Ética, deputado Edmar Moreira (PFL-MG), pediu o arquivamento do processo, mas seu relatório foi derrotado. Um segundo parecer, este do deputado Nelson Trad (PMDB-SP), favorável à cassação, foi aprovado por nove votos a quatro.
  O Conselho de Ética da Câmara decidiu ontem pelo arquivamento do processo de cassação contra o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), acusado de ter divulgado o conteúdo de documentos sigilosos do deputado cassado José Dirceu (PT) que estavam em posse da CPI dos Correios. O relatório do deputado José Carlos Araújo (PL-BA), recomendando o arquivamento do processo, foi aprovado por oito votos a zero.
  Já o corregedor-geral da Câmara, deputado Ciro Nogueira Lima Filho (PP-PI), apresentou ontem um parecer recomendando censura verbal à deputada Angela Guadagnin (PT-SP). Ela ficou famosa ao dançar no plenário da Câmara em comemoração à absolvição do deputado João Magno (PT-MG), que admitiu ter recebido dinheiro do ‘‘valerioduto’’. A manifestação da deputada ficou conhecida como a ‘‘dança da pizza’’ e causou reações indignadas do Congresso e da sociedade. Como a punição sugerida pela Corregedoria foi apenas uma censura verbal, ela deve voltar a ocupar sua vaga no Conselho de Ética da Câmara, segundo o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do Conselho. (D.M./com Folhapress)

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