Câmara volta a adiar debate de comissão
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quinta-feira, 11 de maio de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
Pela quinta sessão consecutiva, o assunto dominante na Câmara de Vereadores ontem foi a possível abertura da segunda Comissão Processante (CP) contra o prefeito Antonio Belinati (PFL). E mais uma vez o resultado foi frustrante para os integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina, que acompanharam os trabalhos do Legislativo: a discussão foi adiada para a próxima sessão, na terça-feira.
O caso começou em fevereiro, com a denúncia do movimento contra Belinati, acusando-o de irregularidades na venda de ações da Sercomtel, na contratação de um show artístico e na compra de marmitex. Ainda em fevereiro, o prefeito conseguiu na Justiça interromper os trabalhos no Legislativo. A liminar foi derrubada no final de abril e, desde então o caso vem se arrastando. Em todas as sessões há a expectativa que o assunto seja solucionado, mas sempre acontece algum imprevisto.
No dia 3, o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), decidiu engavetar a CP. Membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) integrante do movimento protocolaram ofício pedindo que Araújo reconsiderasse a decisão em 48 horas, caso contrário ingressariam na Justiça. Coincidentemente, Araújo ficou doente na época que teria que decidir.
Sete vereadores entraram também com um requerimento de reconsideração de Araújo, que negou alegando que o pedido foi feito fora do prazo. O vereador Carlos Kita (PSDB) pediu uma diligência para elucidar uma divergência sobre o horário em que o requerimento foi protocolado. A expectativa era de que a diligência fosse concluída ontem e o assunto, enfim, pudesse ser discutido. Mas a funcionária do setor que poderia falar sobre o protocolo está em licença-maternidade.
Ontem, a sessão foi suspensa para que os vereadores analisassem o caso. A maioria (com exceção de Elza Correia PMDB) decidiu, segundo o presidente em exercício, Jorge Scaff (PSB), esperar até a próxima sessão. Na terça-feira teremos o resultado da diligência e poderemos discutir a CP.
Mesmo com Scaff afirmando que houve um consenso entre os vereadores, quando a sessão foi reiniciada, Kita avisou que, a pedido do movimento, iria ingressar na Justiça com um mandado de segurança para tentar discutir o requerimento ainda ontem. Esta atitude desagradou alguns vereadores, principalmente Orlando Bonilha (PDT) e Sidney de Souza (PTB). Eles chegaram a discutir com Kita. Infelizmente, o Kita não honrou (a decisão), criticou Bonilha.
A sessão foi encerrada às 16h30, sem que houvesse tempo para impetrar o mandado. A atitude de protelar mais uma vez a discussão foi bastante criticada pelo movimento. A Câmara está caindo cada vez mais em descrédito, ressaltou o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Carlos Scalassara. Segundo ele, se o presidente da Câmara quisesse, poderia reconsiderar a decisão de Araújo e colocar em pauta a discussão sobre a CP. Talvez faltou um pouco de sensibilidade do presidente, mas os vereadores têm que reagir.


