Brasília A Câmara dos Deputados decidiu ontem reabrir o processo de investigação contra o deputado Pinheiro Landim (PSL-CE), acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. A ação, fruto de uma decisão política da nova Mesa da Casa, foi anunciada no primeiro dia de trabalho de João Paulo Cunha (PT-SP) como presidente da Câmara.
O petista já havia dado sinais de que voltaria a investigar Landim como forma de mostrar que sua administração não seria conivente com casos de deputados suspeitos de cometerem crimes comuns.
Devido a gravações feitas pela Polícia Federal, Landim é suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas e seria o intermediário de um esquema que visaria beneficiar traficantes em processos judiciais por meio da compra de habeas-corpus. Ele nega as acusações.
Investigado pela legislatura encerrada em dezembro, o deputado renunciou ao mandato como forma de evitar a cassação. Devido ao fato de ter sido reeleito em outubro, ele tomou posse novamente no último sábado, apesar de o próprio João Paulo ter tentado, por meio de outros deputados, convencê-lo a não assumir o novo mandato.
''A sociedade está ávida para ver uma solução por parte da Câmara'', disse João Paulo após reunião com os integrantes da Mesa Diretora. Ficou definido que a investigação anterior feita pelo antigo corregedor, Barbosa Neto (PMDB-GO) será aproveitada pela nova comissão criada, que tem prazo para entregar um relatório final à Mesa até o dia 25.
Na sindicância anterior, Barbosa Neto propôs a cassação do colega. A nova investigação será chefiada pelo deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE), 2º vice-presidente e corregedor da Câmara.
Segundo Piauhylino, o principal argumento para a reabertura do processo é o fato de que as acusações contra o deputado vieram à tona após as eleições de outubro. ''Se a população do Ceará soubesse disso antes das eleições, pode ser que o resultado fosse outro'', afirmou. Segundo ele, as acusações tem relação com o atual mandato do deputado. Ao ser apresentado à Mesa, o relatório, que provavelmente orientará novamente pela cassação de Landim, será enviado para o Conselho de Ética, responsável em abrir o processo.
A Polícia Federal incluiu Landim como suspeito de envolvimento no esquema a partir de gravação feitas com autorização da Justiça na investigação da quadrilha de Leonardo Mendonça, preso no final do ano passado e acusado de tráfico. Denominada de ''Operação Diamante'', as investigações, que demoraram mais de dois anos, levaram à prisão de várias pessoas em oito Estados e no Distrito Federal em 2002. Há suspeitas ainda do envolvimento de integrantes do Judiciário.

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