Câmara vai investigar suplentes do Acre
Agência Folha
De Rio Branco
E Redação
A Câmara dos Deputados deverá apurar irregularidades de mais três suplentes do PFL do Acre, caso as denúncias do Ministério Público contra o deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), que assumiu a vaga do ex-deputado Hildebrando Pascoal resultem na sua cassação. Pascoal foi cassado por quebra de decoro parlamentar e está preso em Brasília sob acusação de chefiar grupos de traficantes de drogas e de esquadrão da morte.
Zé Alex, citado em depoimento como integrante do esquema Pascoal, está sendo apanhado por um cochilo: sua declaração de bens entregue à Câmara é falsa, como adiantou o relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan. Da declaração constam apenas duas linhas telefônicas em Rio Branco, com valor de cerca de R$ 2 mil. Mas Zé Alex teria muitas propriedades.
O primeiro suplente de Aleksandro é Clóvis Correa de Queiroz, que está sendo processado sob a acusação de improbidade administrativa em sua gestão como diretor-presidente da Empresa de Eletricidade do Acre (Eletroacre), no governo de Orleir Cameli (1994-1998).
Queiroz é acusado pelo Ministério Público de gastar R$ 1,08 milhão em publicidade sem fazer licitação, conforme exige a legislação. A investigação mostrou que cerca de 40% dos anúncios eram propaganda do governo Cameli e não da Eletroacre. Queiroz não mora mais no Acre e não foi encontrado pela reportagem.
A segunda suplente é a vereadora Lenice Barros, segunda secretária da Câmara Municipal de Rio Branco. Ela está sendo processada pela Justiça Federal sob a acusação de participar de uma fraude no vestibular da Universidade Federal do Acre, ocorrida em 1996. A denúncia provocou a anulação do vestibular. A vereadora, que concorria a uma vaga no curso de Direito, nega a acusação.
Lenice é mulher do deputado Roberto Filho (PDT), sobre o qual pesa denúncia de ter obtido reforma na PM sob a alegação de ser cego embora enxergue perfeitamente.
Antônio Aquino, terceiro suplente, ficou conhecido porque seu voto como presidente da Federação Acreana de Futebol foi decisivo para a vitória da chapa apoiada por Nabi Abi Chedid para a CBF, em 1985. Um ano depois, Aquino levou sua família para assistir à Copa do Mundo no México com as despesas pagas pela CBF.
Não há denúncias conhecidas contra a quarta suplente, Juliana Oliveira. O quinto suplente é o ex-deputado Osmir Lima, que está sendo investigado por uma CPI da Assembléia Legislativa por participação em irregularidades na falência do Banacre.
Os escândalos que explodiram no Acre não têm fim e parecem interligados. O ex-governador Orleir Cameli, por exemplo, corre o risco de ter sua prisão pedida na próxima terça-feira se não comparecer para depor na CPI da Assembléia Legislativa do Acre sobre as operações que resultaram na liquidação do Banacre (Banco do Estado do Acre).
Documentos elaborados pelo Banco Central depois de uma série de investigações apontam que o Banacre promoveu operações irregulares e fez renegociações de empréstimos milionários com empresas da própria família do ex-governador na administração dele e com muitos de seus amigos.Enquanto Zé Alex, que assumiu lugar de Pascoal, cassado e preso, pode perder mandato, quatro dos cinco possíveis substitutos devem à Justiça
Arquivo FolhaPOBREZé Alex: declaração de bens falsa e acusações podem determinar cassação encaminhada pela CPI do Narcotráfico





