Câmara vai investigar denúncia só após o dia 6
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terça-feira, 31 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASíLIA - Vai ficar para depois do dia 6 a instalação de comissão especial de sindicância que deverá apurar o envolvimento do deputado João Iensen (PPB-PR) na venda de concessões de emissoras de rádio. O corredor-geral da Câmara, Ronaldo Perim (PMDB-MG), disse ontem que só tem condição de instalar a sindicância a partir do dia 6, data do início dos trabalhos extras da Câmara.
A comissão de sindicância da Câmara vai apurar a participação de João Iensen (foto) em um grande esquema de distribuição de emissoras de rádio, que seria comandado a partir de seu gabinete, por Naura Beatriz Severo, ex-funcionária da Câmara. De acordo com as denúncias levadas até o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), Naura Beatriz e João Iensen facilitariam a concessão das emissoras de rádio no Congresso e no Ministério das Comunicações por cerca de R$ 50 mil.
A instauração de uma sindicância para apurar a quebra do decoro parlamentar é o primeiro passo para a cassação de um deputado. Ronaldo Perim, que substituiu o corregedor-geral da Câmara, Beto Mansur (PPB-SP), lamentou a falta de sorte do fim de ano. Disse que não esperava ter de participar de duas sindicâncias que podem apontar a cassação de mandato parlamentar.
A primeira sindicância foi a de Pedrinho Abrão (PTB-GO), que responde a processo de perda de mandato por suspeita de cobrança de propina de 4% para manter no Orçamento de 1997 a verba destinada à continuidade das obras do Açude Castanhão, no Ceará. Beto Mansur renunciou ao cargo de deputado por ter sido eleito para a Prefeitura de Santos.


