O corregedor da Câmara, deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), presidirá a comissão de sindicância que vai apurar a denúncia de que o presidente da CPI das Obras Inacabadas, Damião Feliciano (PMDB-PB), teria extorquido empresários envolvidos nas investigações da comissão. A comissão será composta por cinco deputados e terá dez dias para apurar o caso. Inicialmente serão ouvidos o próprio presidente da CPI e o relator, Anivaldo Valle (PSDB-PA).
A decisão de se criar a comissão partiu do presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), que acatou um pedido de Barbosa Neto. ''A comissão vai apurar todas as denúncias com rigor e não descarta a possibilidade de ouvir todos os membros da CPI e das empreiteiras que vão ser citadas no relatório final'', disse o corregedor. Na quinta-feira, Aécio articulou com líderes da Câmara a rejeição do pedido de prorrogação da CPI das Obras Inacabadas por mais 60 dias. Segundo o presidente da Casa, a denúncia motivou o encerramento da comissão.
Feliciano nega a acusação e disse que autoriza a quebra de seus sigilos bancários e telefônico para provar sua inocência. Os nomes dos empresários ainda não foram divulgados. Ontem, o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), afirmou que no dia 14 de setembro foi abordado em Salvador por um empresário, que também não quis identificar, que teria sido extorquido.
Segundo relatório entregue ontem ao Congresso, o Tribunal de Contas da União (TCU) vistoriou 304 obras em todo o país, e 121 (39,8%) foram consideradas irregulares. O índice de irregularidades vem crescendo desde 1998. Naquele ano, o TCU vistoriou 110 obras, sendo que 35 (31,8%) eram irregulares. Em 1999, de um total de 135 obras auditadas, 44 (32,6%) tinham irregularidades graves. No ano passado, 197 obras foram fiscalizadas e 66 (33,5%) apresentaram indícios de irregularidades graves.

mockup