Câmara tenta mediar acordo mas não localiza Nedson
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terça-feira, 15 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A exemplo do Ministério Público do Trabalho, a Câmara de Vereadores de Londrina também tentou, ontem à tarde, mediar uma negociação entre a Prefeitura e o sindicato que representa os servidores municipais, o Sindserv. Entretanto, também a exemplo do MP, os parlamentares não conseguiram localizar o prefeito Nedson Micheleti (PT) para convidá-lo para uma reunião que aconteceria hoje de manhã, antes da assembléia que estuda fortalecer a greve iniciada no último dia 8.
A iniciativa do Legislativo contemplou o pedido feito sábado passado ao presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), por diretores do Sindserv. Aceita inicialmente pelo vereador, a proposta foi levada ontem a uma reunião de quase uma hora entre os líderes de partido. Com a anuência dos representantes, ficou estabelecido que a comissão permanente de Trabalho e Serviços Públicos intermediaria a tentativa de acordo. Passado o recado a quatro diretores do Sindserv, o vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), presidente da comissão, tentou contato com secretários e com Nedson, sem sucesso.
Durante a espera pela ligação retornada, Bonilha comentou a receptividade dos líderes sobre a idéia de mediar um acordo. Além disso, o parlamentar explicou que os colegas apoiaram um estudo da evolução da receita do Executivo dos últimos três anos.
Tamarozzi antecipara que entre os tópicos da reunião com o prefeito estaria a pergunta sobre o motivo do não cumprimento de itens do acordo que pôs fim À greve de 31 dias, ano passado. A lista, assinada pela Câmara como testemunha, estabelecia entre outros pontos a formação de uma comissão de servidores para acompanhamento da evolução da receita e apresentação de um índice, além da negociação dos dias parados - que foram descontados, mas revertidos pela Justiça.
''Da vez passada mediamos um acordo. Fizeram a lista, apresentaram ao servidor, mas pelo jeito o Executivo não cumpriu. Agora queremos saber o porquê'', comentou Tamarozzi. Informado de que o prefeito declarara em entrevista à Folha semana passada que cumprira o acordo, o petebista sugeriu: ''É uma boa pergunta para fazermos a ele''.
Até ontem à noite, as informações eram de que Nedson estaria em reunião ''em local desconhecido''. O assessor do prefeito, Ricardo da Guia Rosa, também não soube dizer onde ele estaria. Porém, enfatizou que ''a questão chave continua sendo: não vale sentar e fazer reunião, se a Prefeitura não tem possibilidade de conceder reajuste''. Otimista, Tamarozzi preferiu arriscar que o encontro aconteceria ainda hoje. ''Pode ser a qualquer hora, já que não nos deram retorno ainda. De toda forma, isso (que o assessor falou) é do prefeito que teremos de ouvir'', concluiu.
Hoje os servidores realizam assembléia em frente à prefeitura para avaliar os dias de paralisação. Conforme o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, a expectativa é que os profissionais da Educação declarem adesão de um dia por semana, sempre às quartas-feiras. Por enquanto, o setor de Saúde tem sido o mais prejudicado, com fechamento ou abertura parcial de unidades básicas de Saúde.
Em assembléia anteontem, cerca de 150 servidores do Programa Saúde da Família (PSF) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também aprovaram indicativo de greve por reposição salarial. Prestadores de serviço à Prefeitura mediante convênios, eles páram 50% do atendimento à população na próxima segunda-feira.


