A Câmara de Maringá pode formar hoje uma comissão para cassar o prefeito licenciado, Jairo Gianoto (PSDB). Ontem, o MP comunicou ao presidente da Câmara, Valdir Pignata (PPB), que uma cópia da ação por improbidade administrativa está à disposição na 1ª Vara Cível. Gianoto foi incluído na ação depois que o MP descobriu em sua conta R$ 549 mil dos desvios. O promotor José Aparecido da Cruz disse que Pignata terá acesso à ação para propor aos vereadores a abertura do processo de cassação. Na ação, Cruz já pediu o afastamento de Gianoto que, antecipando-se ao parecer do juiz Mário Seto Takeguma, pediu licença do cargo por tempo indeterminado.
Pignata disse que dependendo do resultado da reunião com os vereadores, é possível que na sessão de hoje à noite seja possível votar algum parecer. A vereadora Bia Correa (PT) revelou à Folha que junto com outros opositores estava analisando o regimento interno. ‘‘Vamos optar pela opção mais favorável’’, disse.
A vereadora disse que pelo regimento, o vereador que apresentar uma proposta de Comissão Processante (CP), não pode votar. O que seria um voto a menos, que faria falta na decisão. Outra desvantagem da CP é que os três membros são apontados por sorteio, o que para Bia pode ser um risco. O ideal, segundo ela, seria uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), que garantiria presença da oposição. Mas aí poderá faltar tempo, até o recesso de dezembro.
Para Bia, qualquer decisão vai esbarrar na maioria que o prefeito licenciado sempre teve na Câmara. ‘‘Se conseguirmos o apoio popular, acho que teremos maioria para chegar à cassação’’, calcula Bia. O advogado Alberto Abrão Wagner da Rocha, do Movimento pela Ética na Política em Maringá, garantiu que haverá mobilização na Câmara ‘‘e na rua, se for preciso’’.
O promotor Cruz acredita que o Centro de Apoio Operacional das Promotorias do Patrimônio Público, de Curitiba, vai oferecer denuncia criminal contra Gianoto, pelo desvio. Ele explica que como prefeito, Gianoto tem foro privilegiado, e deve responder criminalmente ao Tribunal de Justiça. Para Cruz, os desvios da Prefeitura de Maringá são ‘‘singulares’’, já que não existia compra ou empenho para justificar os gastos. (M.Z.)

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