Câmara se divide sobre possível retorno de vereadores afastados
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
Vitor Struck Reportagem Local 
Na Câmara Municipal de Londrina, a tranquilidade do recesso parlamentar contrasta com a expectativa sobre qual será o futuro dos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). É que o prazo do segundo afastamento judicial por 180 dias termina na semana que vem e o Ministério Público deve pedir a renovação. Os trabalhos no Legislativo recomeçam em 1º de fevereiro.

Afastados dos cargos desde o dia 25 de janeiro de 2018, um dia depois de o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) deflagra a Operação ZR3, Takahashi e Alves são réus ao lado de outras 11 pessoas e respondem por crimes como organização criminosa e corrupção passiva e ativa segundo ação penal proposta pelo Ministério Público. Eles são acusados de liderar suposta organização criminosa que visava aprovação de projetos na Câmara relacionados a mudança de zoneamento urbano. Ainda no ano passado, os dois parlamentares conseguiram na Justiça restituir o pagamento dos salários.
A FOLHA procurou os 19 vereadores da atual Legislatura para saber deles o que pensam de um possível retorno de Takahashi e Alves à Casa. Apenas seis não foram ouvidos, porque não atenderam as ligações ou não retornaram contato. Alguns falaram sob a condição de não revelar o nome. A percepção é que o tema divide opiniões na Casa.
Para alguns, o retorno dos parlamentares ao trabalho no Legislativo não seria bom para a imagem da Câmara, que teve ao longo dos primeiros dois anos desta Legislatura três vereadores (Boca Aberta, Takahashi e Alves) na mira de comissões processantes e um (Filipe Barros) da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Em setembro do ano passado, Mario Takahashi e Rony Alves foram absolvidos na sessão da Câmara Municipal que julgou se ambos deveriam perder o mandato por improbidade administrativa (veja a votação em ilustração nesta página).
"O Brasil está sendo passado a limpo em todos os cantos e aí acho que para a Câmara é um desgaste tremendo", afirma um parlamentar. Outro vereador aponta preocupação por conta de uma importante votação que será realizada em 2019, a da revisão do Plano Diretor. "São vereadores que estão sob suspeita de uma questão relacionada à lei maior do município, que é do Plano Diretor. É um tema que está relacionado à possível condenação deles", ressalta.
Outro vereador lembra que, no ano passado, a Câmara "fez o seu juízo com base nos elementos que possuía, que certamente são elementos diferentes do que os que a Justiça têm", avalia. Questionado sobre como ficariam as futuras votações diante das acusações do MP sobre a dupla, ele avalia que mudam os pares.
"Cada vereador está tendo seu posicionamento de forma individual. Acho que no coletivo talvez não ajude muito a imagem da Câmara, mas dentro do plenário acredito que não vá haver muita influência", observa.
VISÃO SUPERFICIAL
Por meio da assessoria de comunicação, o presidente da Casa, vereador Aílton Nantes (PP), diz que a Câmara vai seguir cumprindo as decisões da Justiça e que não iria repercutir ilações sobre o futuro dos vereadores.
No mesmo sentido, o vereador e vice-presidente Eduardo Tominaga (DEM) ressalta que "o que tinha para ser feito pela Câmara foi feito". Questionado sobre futuras deliberações caso os vereadores retornem, ele salienta que isso também não é atribuição da Câmara decidir.
"Acho que a população, a imprensa e a cidade inteira vão estar de olho, se vai haver um posicionamento por parte deles, duvidoso ou não, assim como os passos seguintes de cada vereador. A questão pessoal, eles participando ou não, nós não podemos interferir mais. Acontece que a população tem uma visão superficial do que acontece aqui", critica.
Já o vereador Tio Douglas (PTB), suplente de Rony Alves, opta por não se manifestar neste momento, "tendo em vista a votação no ano paassado", cujo voto dele foi pela cassação.
Para o deputado federal eleito Filipe Barros (PSL), primeiro a pedir a abertura de Comissão Processante contra os dois vereadores investigados na ZR3, "existem indícios para que a Justiça conceda a renovação do afastamento". "A Justiça deve necessariamente renovar, caso contrário a imagem da Câmara vai por água abaixo, vai ser lamentável, ambos ainda estão sob investigação e recentemente um deles foi preso", afirma, mencionando a prisão de Rony Alves no final do ano passado sob acusação de ter ameaçado a principal testemunha de acusação do MP, mesmo estando cumprindo medidas cautelares.
Já o vereador do PSC, Péricles Deliberador, diz que não iria comentar o retorno à Câmara antes do julgamento do processo na esfera cível. O vereador Roberto Fú (PDT) afirma que cada vereador precisa "zelar pela imagem da instituição", mas também prefere não comentar.


