Os vereadores de Maringá revogaram resolução que criou o ''ressarcimento'' de despesas de gabinete, alvo de investigação do Tribunal de Contas (TC) e do Ministério Público (MP). Criada em abril deste ano e garantindo um limite de R$ 3,5 mil por vereador ao mês, a verba foi aprovada por unanimidade em regime de urgência, e vinha recebendo severas críticas da população. O presidente do Legislativo, Valter Guerles (PSDB), divulgou nota explicando os motivos da revogação.
O sistema de devolução de despesas por gabinete, na visão de Guerles, foi a forma de ''tornar ainda mais ágeis os trabalhos''. Cada vereador tinha uma cota de R$ 3,5 mil ao mês para manter o gabinete, extinguindo as diárias e incluindo despesas com combustível, antes inexistentes. Apesar da maioria dos vereadores alegar redução dos gastos, o custo por gabinete subiu. Com exceção de Paulo Mantovani (PSDB), que não utilizou a verba, os demais gastavam sempre acima de R$ 500.
Na média, o custo de cada gabinete girava em torno de R$ 1,5 mil ao mês. Muito acima das legislaturas anteriores. Os gastos entre janeiro de 1997 e outubro de 1998 mostram que cada vereador teve uma despesa média de gabinete de R$ 445,13 por mês. ''Elogiamos o ato dos vereadores, mas queremos transparência mesmo no sistema unificado de despesas'', cobrou o ex-vereador Aldi Cezar Mertz (PDT), um dos principais críticos da verba.
O TC ainda vai apreciar um parecer sobre a resolução que criou a verba de gabinete. Caso o tribunal reprove a verba, os vereadores terão que devolver o valor. Em média as despesas alcançavam no total R$ 40 mil por mês. O MP também continua investigando a verba. ''Se os vereadores cortaram a verba é porque concordam que ela é irregular. Vamos continuar investigando'', disse ontem o promotor de Defesa do Patrimônio Público, José Aparecido da Cruz.

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