Câmara retoma trabalhos com afastamento e novas denúncias
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terça-feira, 03 de agosto de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
Seguindo uma tendência que se arrasta desde o final da legislatura passada, a Câmara Municipal de Londrina retomou ontem os trabalhos, mais uma vez, em clima de polêmica e no foco de novas denúncias do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Antes de votar qualquer projeto da pauta, a Mesa comunicou ao plenário o afastamento do vereador Joel Garcia (PDT), determinado, na véspera, pelo juiz da 7 Vara Cível de Londrina, Marcos José Vieira. É a terceira vez que o parlamentar é afastado do posto - sem prejuízo da remuneração -, desde dezembro, graças a liminares judiciais de ações civis públicas por ato de improbidade ingressadas pelo Gaeco contra ele.
Enquanto no prédio do Legislativo a notícia era o afastamento, na sede do Gaeco, em coletiva, a Promotoria anunciava novas duas denúncias criminais de concussão (leia mais nesta página) e uma ação civil pública de improbidade administrativa contra o parlamentar. Tanto a ação - que resultou na decisão judicial de anteontem - quanto uma das denúncias se refere ao suposto uso do cargo de vereador para exigir R$ 1 mil de taxistas da cidade a fim de não atrapalhar a votação do projeto de lei que regulamentaria a atividade em Londrina.
De acordo com o MP, tanto Joel quanto o advogado contratado pelo Sindicato dos Taxistas de Londrina, Ivo Marcos Tauil, réu em ações do caso Ama-Comurb, teriam contribuído para o ato de improbidade e o crime de concussão. ''Na verdade, o advogado participou do fato delituoso em coautoria com Joel, que incumbiu a ele a reforçar e exigir de alguns taxistas, em reunião no sindicato, e na Câmara, a quantia exigida pelo vereador'', disse um dos promotores que subscreveram a ação, Renato de Lima Castro.
O afastamento do parlamentar foi solicitado em liminar após o episódio em que, no dia da votação final do projeto, em 15 de julho, o presidente do Sindicato dos Taxistas, Fernando Nunes de Souza, foi indagado em plenário por Joel sobre o depoimento que prestara ao Gaeco confirmando o suposto pedido de propina. Naquela ocasião, Souza negou a existência das investidas. Para o Gaeco, o vereador teria usado o cargo, ali, para intimidar a testemunha.
''O Fernando foi conclamado pelo Joel a defender a aprovação do projeto de lei, mas foi surpreendido por ele ao ser inquirido sobre sua (de Joel) participação no que denunciara. O sindicalista ficou atemorizado, pois o projeto era de grande importância a toda a classe; ciente de que aquilo ocorreu, o MP convocou novamente a testemunha e outros taxistas presentes à votação e todos confirmaram esse temor'', destacou o promotor.
No despacho, o juiz da 7 Cível - que já assinara o segundo afastamento do vereador - considerou que ''certo está, pois, que o requerido demonstrou concretamente o intento de, uma vez no exercício do cargo, dele se valer para atrapalhar a colheita das provas''.
A assessoria de imprensa da Câmara informou que o suplente de Joel, Gaúcho Tamarrado, será notificado a assumir a vaga até amanhã - ele terá, então, 15 dias para a posse. Já Tauil não foi localizado em sua residência, e o celular dele estava desligado.


