Câmara retoma semana que vem processo contra Gouvêa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Câmara retoma, no início da próxima semana, a discussão sobre a abertura de Comissão Processante (CP) contra o vereador afastado Rodrigo Gouvêa (PRP). Em representação aceita no último dia 3 pela Mesa Executiva, a Corregedoria da Casa apontou quebra de decoro parlamentar, por parte do vereador, em função de suposta contratação de assessora ''fantasma'' em seu gabinete, com finalidade que seria eleitoral.
Nesta terça, dia 24, expira o prazo de 10 dias concedido à defesa do parlamentar para vista do processo em que o corregedor do Legislativo, Rony Alves (PTB), apontou conduta incompatível com o decoro parlamentar. Segundo o corregedor, ainda que na semana retrasada a Casa tenha aceito a solicitação da defesa, apenas após a coletiva concedida por Gouvêa na última sexta, em Londrina, é que um de seus advogados teria retirado a documentação para ciência. ''Ainda assim, porque um assessor jurídico da Câmara foi até essa coletiva, no Rotary, e notificou o advogado para que tomasse vista; houve essa tentativa de enrolar bastante o processo, mas terça, finalmente, o prazo vence.''
Segundo o corregedor, a situação de Gouvêa ''é delicada''. ''Até porque, se admitido o pedido da Corregedoria e aberta a CP (processo que carece, ainda, da denúncia a ser redigida pela Mesa), tenho a impressão de que o caminho que se segue na Casa é esse; creio que a comissão chegará às mesmas conclusões da Corregedoria.''
Hoje, Alves vai requisitar ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cópia da nova ação criminal contra Gouvêa, proposta anteontem, na qual o vereador é acusado de concussão - extorsão cometida por agente público no exercício da função - contra um casal de empresários que o teria procurado para viabilizar uma mudança de zoneamento. A denúncia do Gaeco chegou primeiramente pelo ex-chefe de gabinete de Gouvêa, Sílvio Costa, e foi corroborada pelas supostas vítimas. Ontem, o corregedor anunciou que a juntada da ação inicia um terceiro procedimento administrativo contra o parlamentar afastado - de modo que, adiantou Alves, o casal da denúncia e o ex-comissionado devem ser chamados a depor. ''O Sílvio é uma peça extremamente importante; mesmo porque, queremos saber dele se os fatos a se denunciarem param aí ou se tem mais coisa. Esperamos que não'', concluiu o petebista, que, assim como o suplente de Gouvêa, Zaqueu Berbel, estão regimentalmente impedidos de votar na admissibilidade ou não de CP.
Na coletiva de sexta passada, tanto Gouvêa quanto um dos advogados dele, Guilherme Gonçalves, afastaram a possibilidade de eventual renúncia na Casa para escapar de processo de cassação. O argumento é que o vereador, citado já em três ações criminais e duas cíveis, por parte do Ministério Público (MP), estaria sendo vítima de uma ''orquestração''.


