A prisão provisória que dura hoje 27 dias já começou a ser sentida também no bolso do vereador Joel Garcia (PDT): sem comparecer a nenhuma das seis sessões ordinárias realizadas até a última terça-feira, o parlamentar teve retido um terço do subsídio de fevereiro, pago no último dia 20. Mensalmente, cada parlamentar recebe R$ 5.724 (valor bruto), além de ter direito a uma verba de gabinete de R$ 4,3 mil.
Semana passada, em entrevista à FOLHA, a procuradora jurídica do Legislativo, Michele Bazo, afirmou que as faltas de Joel às sessões seriam analisadas pela Mesa Executiva sob o prisma de serem ou não passíveis de justificativa. Até ontem, contudo, nem a defesa, nem familiares do preso haviam encaminhado qualquer tipo de justificativa à Casa.
Pela lei que criou o regimento interno do Legislativo, o parlamentar recebe a falta caso não obtenha presença em 75% das votações. Há dúvidas, no entanto, se o desconto às ausências injustificadas deve ocorrer se elas estiverem atreladas apenas às sessões que aconteçam, nesse período, ou a todo o período. Segundo o diretor da Câmara, Rubens Menoli, o questionamento foi apresentado à Procuradoria, que deve se manifestar hoje.
''Pelo regimento, cada sessão representaria um terço do subsídio mensal; retivemos um terço do total, mas esse esclarecimento vai depender do entendimento jurídico - se ficou devido algum pagamento ou se a Câmara pagou algo que não deveria, será corrigido'', disse o diretor, para quem, agora, se trata ''de uma situação nova''. No final do ano passado, quem também ficou preso foi o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP), mas na condição também de afastado liminarmente e, conforme decisão judicial, sem prejuízo da remuneração. (J.G.)

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