Seis vereadores londrinenses trocaram de partido desde a eleição municipal de 2004. O dado consta da resposta recebida ontem pelo Ministério Público Eleitoral, encaminhada pela Câmara de Vereadores em resposta ao ofício em que foram requisitadas, na semana passada, informações sobre desfiliações partidárias de integrantes do Plenário. Assinado por sete promotores eleitorais, o documento pedia dados como a sigla pela qual o agente foi eleito e eventuais mudanças em relação ao partido de origem após 27 de março deste ano. É a partir dessa data, no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que os casos de infidelidade ficam sujeitos a punição, uma vez que o órgão estabeleceu, este ano, que os mandatos pertencem não ao político, mas à agremiação pela qual se elegeu.
A iniciativa do MP em Londrina cumpre determinação do procurador regional eleitoral, Néviton Guedes, que analisará caso a caso, em todo o Estado, antes de definir se ingressará ações de cassação de mandato contra mudanças ocorridas fora do prazo legal. As seis trocas de partido no Legislativo desde a eleição municipal de 2004 comunicadas à Casa foram de: Marcelo Belinati (ex-PSL, atual PP), Sandra Graça (ex-PDT, PP), Renato Lemes (ex-PSL, PMR), Tercílio Turini (ex-PSDB, PPS), Jamil Janene (ex-PDT e ex-PR, PMDB) e Paulo Arildo, que trocou o PSDB pelo PPS, mas retornou à sigla em abril deste ano.
Conforme o documento, três das trocas teriam sido efetuadas após o 27 de março. É o caso de Jamil, que informou a filiação ao PMDB em agosto, após deixar o PR, em junho de 2007, e o PDT, em setembro de 2005. Já Arildo comunicou o reingresso no PSDB em abril após deixar o PPS, sigla à qual se filiou ao deixar, em setembro de 2005, justamente o PSDB pelo qual se elegera. Sandra informou em sessão do mês de agosto deste ano a filiação pepista, conforme o ofício, ''não constando a data de seu desligamento do PDT''. Entretanto, a vereadora afirmara que a saída do partido de origem, após processo por suposta infidelidade no segundo turno de 2004, ocorrera ainda em 2005.
Segundo o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), o entendimento extra-oficial da assessoria jurídica é o de que nenhum dos casos se enquadra em situações de punição pelo Judiciário. ''Pelo fato de todos eles terem deixado seus partidos antes de 27 de março, acredito que as situações deles são tranquilas.''
À exceção de Sandra, que até este ano permaneceu sem partido, Jamil e Arildo, que se desfiliaram das segundas siglas após o prazo do STF, informaram que estão dispostos a explicar o que for necessário ao MP. ''Como saí do PPS e voltei ao partido de origem, creio que não há problema'', considerou o tucano.
''Minha desfiliação do PDT é anterior à data'', comentou Jamil.

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