Câmara resiste a reduzir comissionados
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Dados oficiais da Câmara Municipal de Londrina indicam que em fevereiro deste ano, o número de cargos comissionados na Casa é superior ao de fevereiro de 2008 - 95 contra 91. Isso significa uma quantidade duas vezes maior que a de funcionários concursados - 46 no início do ano passado, e 44 em 2009. O gabinete da presidência, com 18 cargos, é o campeão em comissionados. A Câmara não soube informar qual o gasto salarial com os comissionados e com os concursados.
Autor do pedido de informações sobre o número de cargos de confiança na prefeitura, sob alegação de que houve loteamento político no município, o vereador Joel Garcia (PDT) foi cauteloso quando questionado sobre o mesmo assunto no Legislativo. Garcia não se mostrou favorável a acatar recomendação administrativa expedida à Câmara pela promotoria de Defesa do Patrimônio Público, em agosto do ano passado, visando a redução do número de comissionados em proporção aos concursados.
Se for uma recomendação legal, uma decisão judicial, a gente acata. Mas recomendação do Ministério Público, como diz um juiz amigo nosso, o Ministério Público também é parte..., afirmou Garcia. Sobre a possibilidade de cada gabinete manter até cinco vereadores, Garcia avaliou que se o parlamentar for encostado é muito; mas se trabalhar, não.
O presidente da Câmara Municipal, Jairo Tamura (PSB), também não considera excessivo o número de comissionados. Sobre o aumento no número de cargos, ele alegou que, como cada vereador pode contratar até cinco assessores, a diferença pode estar dentro dessa margem. Para pagamento de salários dos assessores, cada vereador dispõe de R$ 5.020,40. Na atual legislatura, o número de comissionados por gabinete varia de dois a cinco.
Eu olho pela legalidade, no passado já existia essa quantidade. E cada vereador é livre para determinar a quantidade necessária para sua atividade. Londrina é a segunda cidade do Paraná e a demanda de trabalho é muito grande, alegou.Na presidência, os cargos englobam trabalho de som, assessoria de imprensa e outros cargos importantes.
O promotor Renato de Lima Castro, um dos autores da recomendação afirmou que as consequências da medida administrativa vão depender da resposta da Câmara.
O presidente ficou de reunir todos os vereadores para discutir a questão. Nós estamos aguardando um posicionamento, disse. Para Lima Castro, é necessário se estabelecer uma proporção entre o número de comissionados e de efetivos. De acordo com ele, a aplicação do princípio da razoabilidade nesta situação foi consolidada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2007.
Atualmente, a situação na Câmara de Londrina está muito distante do razoável. Reputa-se desnecessário cinco cargos para cada vereador cumprir o exercício da atividade legislativa. O número de comissionados na presidência também é expressivo, afirmou.


