A Comissão de Justiça da Câmara Municipal reprovou, na tarde desta segunda-feira (11), o projeto que proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis de Londrina. A proposta foi protocolada pelo vereador Jairo Tamura (PR). Com a matéria rejeitada, o parlamentar tem 30 dias para apresentar recurso, que será analisado em plenário. Se a contestação for acatada, o texto segue tramitando nas comissões temáticas.

Com a derrota na Comissão de Justiça, Jairo Tamura (PR) tem até 30 dias para contestar a votação
Com a derrota na Comissão de Justiça, Jairo Tamura (PR) tem até 30 dias para contestar a votação | Foto: Guilherme Marconi/Grupo Folha



A reunião desta segunda-feira (11) contou com a presença de donos de postos, representantes do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Paraná (Sindicombustíeis) e moradores do Jardim Higienópolis, bairro paralelo à Avenida Higienópolis, no centro de Londrina, que apoiam o projeto de Tamura. O presidente da Comissão de Justiça, Filipe Barros (PRB), elogiou a intenção do vereador do PR em impedir a venda de álcool nestes estabelecimentos, mas apontou que o problema, caso a proibição vire realidade, não seria solucionado. "O consumidor vai comprar a bebida de qualquer jeito. Se não tem no posto, ele vai no supermercado mais perto", disse.

Jairo Tamura ponderou que "não quer prejudicar os empresários do ramo", mas citou que, no caso da Higienópolis, "a algazarra que invade a madrugada é motivada pelo consumo excessivo de álcool". Tentando amenizar a discussão, o vereador Amauri Cardoso (PSDB) lembrou da intenção do prefeito Marcelo Belinati (PP) em proibir a ingestão de bebida em vias públicas. O líder do gestor na Câmara, Péricles Deliberador (PSC), confirmou que o assunto será incluído em um projeto do Executivo. A expectativa é que o texto seja enviado à Câmara até o início de outubro.

Moradores do Jardim Higienópolis, na região central, pressionaram os vereadores a votarem a favor da proibição da venda de bebidas alcoólicas
Moradores do Jardim Higienópolis, na região central, pressionaram os vereadores a votarem a favor da proibição da venda de bebidas alcoólicas | Foto: Guilherme Marconi/Grupo Folha



Segundo o diretor do Sindicombustíveis em Londrina, Cláudio Monaco, a restrição na venda atingiria diretamente a renda dos postos. "Em uma base de cinco funcionários por estabelecimento, teríamos 500 empregos a menos em Londrina. A proibição só gera mais desemprego e perda da arrecadação", apontou. As críticas ao projeto foram rebatidas por moradores do Jardim Higienópolis, um dos mais afetados pela concentração maciça de pessoas aos finais de semana, som alto e muito barulho. "Nós protocolamos um documento com mais de mil assinaturas. Queremos ter o nosso direito ao descanso respeitado", avaliou Agmara de Cássia, residente há mais de 25 anos no bairro.

Imagem ilustrativa da imagem Câmara rejeita proibição de venda de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis
| Foto: Guilherme Marconi/Grupo Folha



Vera Portella, outra moradora, observou que "está praticamente insuportável viver por ali. Eu coloquei o meu imóvel à venda, mas o corretor me disse que ele desvalorizou cerca de 50%. O entorno das ruas Montese, Riachuelo e da própria Avenida Higienópolis virou um bordel a céu aberto. É sexo e drogas a todo momento. Não temos mais paz", completou.

(colaborou Guilherme Marconi, da Folha de Londrina)

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