Os vereadores de Cambé rejeitaram ontem por oito votos a seis o pedido de abertura de uma comissão processante (CP), para apurar uma denúncia de infração político-administrativa contra o prefeito José do Carmo Garcia (PTB)
A denúncia foi protocolada no dia 24 de fevereiro, pela Associação Cambeense de Defesa e Proteção dos Direitos da Sa© úde, Cecílio Araújo Pereira, e Walter Dalto, em que relatam o repasse de R$ 369 mil à Associação dos Funcionários Municipais de Cambé (AFMC), divididos em sete parcelas, de janeiro à março de 2002. No entanto, o projeto de lei que prevê o repasse de R$ 630 mil à associação, para ''atendimento de assistência médica a pessoas que dela necessitarem'', somente foi aprovado em abril. A lei municipal teria consignado sua vigência a partir de 1 de janeiro, data anterior à sua publicação. Ao todo teriam sido repassados em 2002 à AFMC, R$ 660 mil (R$ 30 mil referentes a um aditivo).
''Eu acho que fizemos tudo que poderíamos. Denunciamos no Ministério Público (MP), e esperávamos que os vereadores tivessem disposição a investigar. Já que não quiseram, o povo vai julgá-los nas urnas, eu não posso fazer mais nada'', desabafou Pereira, que acompanhou a sessão. ''Se lá na frente eles (vereadores) quisessem dar absolvição ao prefeito, tudo bem, no final da comissão eles poderiam , mas eles não quiseram nem investigar.''
Conforme o presidente da Câmara, Carlos Roberto Rasteiro, para ser aprovado, o pedido precisaria de dez votos. ''Foi obedecido o regimento, a lei orgânica. Foi aprovado o voto nominal e colocado em discussão. Outros pedidos semelhantes poderão ser votados, esse foi arquivado'', afirmou.
A Folha tentou falar com o prefeito, mas ele está em Brasília, na Marcha dos Prefeitos (ver matéria na página 5).
Esse foi o segundo pedido de abertura de comissão processante na Câmara de Vereadores de Cambé. O primeiro, foi protocolado em 1982, contra o ex-prefeito Jeová Gomes, mas foi prescrito.

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