Câmara rejeita pedido de cassação em Joaquim Távora
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Por quatro votos a quatro e com o voto de desempate do presidente da Casa, a Câmara de Vereadores de Joaquim Távora (53km ao sul de Jacarezinho) rejeitou a instauração de uma Comissão Processante (CP) que pedia a cassação do prefeito Wiliam Walter Ovçar (PSL).
O pedido de cassação foi entregue ao Legislativo pelo ex-secretário de Saúde do município, Carlos Henrique Castanheira. Mês passado, ele entregou ao Ministério Público (MP) local denúncia de compra superfaturada de remédios na administração, o que se tornou também motivo de investigação por parte de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Na denúncia ao MP, Castanheira relatou que medicamentos e materiais médico-hospitalares teriam sido adquiridos em duas licitações fraudulentas ocorridas em março deste ano. Para embasar a denúncia, o ex-secretário apresentou listas de comparação de preços nas quais os mesmos produtos comprados pela administração apareciam com valores de 40% a 50%, e até 930% mais altos. Para isso, ele consultou ex-fornecedores da Prefeitura, hospitais de cidades vizinhas e a associação mantenedora da Santa Casa de Joaquim Távora, presidida pelo vice-prefeito, Gelson Nassar (PSL). Cópia da denúncia foi remetida também à Polícia Federal (PF) em Londrina que ainda não abriu inquérito.
De acordo com o presidente da Câmara, vereador Sebastião Aparecido Lopes (PSDB), a decisão de não aceitar agora a instauração de CP contra Ovçar é uma forma de evitar julgamento antecipado à defesa dele. ''Já existem investigações por parte do MP e de uma CPI que ainda não concluiu os trabalhos; a CP os 'atropelaria''', argumentou Lopes.
Segundo o relator da CPI, vereador Emílio Calil Neto (PSDB), os trabalhos da comissão devem ter, já na semana que vem, um relatório parcial. Conforme o parlamentar, no próximo dia 24 serão tomados os depoimentos de representantes das duas empresas que participaram da licitação (realizada via carta-convite). Funcionários e ex-funcionários do Executivo também já depuseram.
A Prefeitura também instaurou uma comissão interna de sindicância para avaliar o caso. ''Isso (pedido de cassação) não me surpreende: não se trata de esclarecer os pontos à população, e sim, de me afastar do cargo. Virou coisa política'', devolveu o prefeito.


