Câmara rejeita convite para debate com Soraya
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Seis vereadores votaram a favor, mas dez votos contrários, duas ausências e um bate-boca dentro e fora do Plenário rejeitaram ontem à tarde a proposta de levar a ex-assessora financeira Soraya Garcia para falar na Câmara de Vereadores. Além do que se mostrou em público, o assunto rendeu mais de uma hora de discussão acalorada a portas fechadas.
O requerimento, votado no fim da sessão, foi proposto pelo vereador Henrique Barros (PMDB). Nele, o parlamentar convidava Soraya a comparecer à sessão do próximo dia 15 para ''prestar esclarecimentos e informações'' a respeito das denúncias de que a campanha pela reeleição de Nedson Micheleti (PT) teria deixado de declarar à Justiça Eleitoral cerca de R$ 5,2 milhões. O peemedebista havia cogitado a possibilidade já na semana passada, mas a adiou para que não tivesse o mesmo objeto do requerimento que seria protocolado por Luiz Carlos Tamarozzi (PTB).
Na ocasião, Tamarozzi propôs que Soraya apresentasse provas das acusações feitas por ela, em depoimento à Polícia Federal (PF), contra nove vereadores. O material foi modificado e, também com a assinatura de Gláudio Renato de Lima (PT), na sessão de terça-feira passada, foi aprovado solicitando que a PF envie à Casa cópia da documentação apurada e do inquérito. À Folha, Soraya havia dito que aguardava ''ansiosa'' pelo convite da Câmara que, na opinião dela, seria já ''um princípio de acareação''.
O presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), ironizou em Plenário a ex-assessora ''no momento certo a própria língua dela vai enforcá-la'' e, depois, justificou que a rejeição ao pedido seria necessária porque ''a Câmara não é uma casa de espetáculo''.
Tercílio Turini, do PPS, também contrário ao requerimento, alegou ''cautela'' e inoportunidade da medida. ''Parece-me que o MP e a Polícia têm um caminho longo nas investigações. Pode ser que façamos o convite a ela depois de apurado tudo; agora se criaria um tumulto muito grande'', justificou Turini. Para Marcelo Belinati Martins (PP), contudo, a posição da maioria afetaria a independência do Poder em relação à promotoria, à PF e mesmo ao Executivo. ''A Câmara tem que fiscalizar, não pode ficar omissa'', afirmou. Martins deve propor na semana que vem que o prefeito vá à Casa se defender.


