Câmara rejeita CEI do Marco Zero
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Com sete votos a favor e dez contrários, a Câmara de Londrina enterrou ontem a Comissão Especial de Inquérito (CEI) proposta por Jamil Janene (PP) para investigar os motivos da dificuldade de concessão de alvarás para os empreendimentos que rodeiam o Marco Zero. O autor perdeu até mesmo o apoio de quem chegou a assinar seu pedido de investigação, datado do início de fevereiro.
Assinam o requerimento, além de Jamil, os vereadores Gustavo Richa (PHS), Mário Takahashi (PV), Padre Roque (PR), Gaúcho Tamarrado (PDT), Péricles Deliberador (PMN) e Tio Douglas (PTB). Ontem, os dois últimos votaram contra a CEI e Gaúcho se ausentou do plenário durante a votação.
Após a votação, Jamil reclamou de suposta interferência do Executivo. "O Márcio Stamm (chefe de gabinete) me ligou três vezes ontem, pedindo para retirar o requerimento", afirmou. Outros vereadores negaram terem sido pressionados. A FOLHA tentou contato com Stamm, mas o celular estava desligado.
Jamil pretendia abrir a investigação com base em declarações do empresário Raul Fulgêncio, feitas no ano passado, na Câmara. Na ocasião, ele afirmou que a administração municipal "sangra" grandes empreendedores e que a Leroy Merlin, que integra o complexo do Marco Zero, mesmo atendendo todas as contrapartidas, teve o alvará definitivo negado.
O pedido de CEI entrou pela primeira vez em discussão no dia 14 de fevereiro, mas acabou retirado de pauta por emenda de Roberto Fu (PDT), que ampliaria a investigação para todos os hipermercados e lojas de departamento de Londrina. O autor, entretanto, decidiu suspender a votação por 90 dias após a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) se comprometer a apurar a situação.
Nesse meio tempo, a Comissão de Trabalho da Câmara assumiu uma apuração paralela. A medida provocou "ciúmes" de Jamil, que estava com seu requerimento congelado devido ao acordo.
Alegando ter um "fato novo", o vereador voltou atrás na terça-feira passada, quando pediu o retorno para a pauta do Legislativo de ontem. Jamil apresentou um vídeo com cópias de reportagens de jornais impressos, rádios e tevês, além de trechos da fala de Fulgêncio no Legislativo.
Outros vereadores lembraram que a Câmara já está apurando o fato com a Comissão de Trabalho e que a CEI é um instrumento muito forte, a ser utilizada apenas em ocasiões em que há obstáculos para a fiscalização.
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