Ponta Grossa - Em uma sessão tensa e com muitas manifestações, os vereadores da Câmara de Ponta Grossa rejeitaram anteontem à noite o pedido de arquivamento da denúncia contra a vereadora Ana Maria Branco de Holleben (sem partido), acusada de quebra de decoro parlamentar por supostamente ter forjado o próprio sequestro para não participar da votação da presidência da Casa no início do ano. Foram 17 votos a favor da rejeição do relatório final da Comissão Processante (CP) e três contrários. Com o resultado, a vereadora ainda corre o risco de perder o mandato. Ana Maria não compareceu à sessão.
O presidente da CP, Márcio Schirlo (PSB), afirmou que a rejeição do arquivamento era esperado pela comissão. "Não foi surpresa, mas fizemos esse encaminhamento com base na lei e no relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Investigação)", afirmou. A CP tinha 90 dias para concluir a investigação. Como faltam cerca de 60 dias para conclusão do prazo, os vereadores terão esse tempo para apresentar um novo relatório final. "Agora vamos notificar a vereadora da decisão, pedir que ela apresente testemunhas, provas e vamos começar a instruir o processo, ouvir depoimentos e, lá no final, vamos emitir um novo parecer." Até o momento, a CP só tinha analisado documentos e depoimentos que já tinham sido prestados à CPI, ao Ministério Público (MP) e à Polícia Civil. "Agora começa uma nova etapa da investigação, que é mais política", ressaltou.
Segundo informações do procurador da Casa, José Augusto Carneiro Andrade, se "eventualmente a CP mantiver no novo relatório a posição pelo arquivamento, e o plenário rejeitar esse novo relatório, a vereadora tem automaticamente o mandato cassado".
O advogado da vereadora, Fernando Madureira, afirmou que a pressão popular pode ter "mudado o voto" de alguns vereadores. "Não foi uma surpresa porque muitas pessoas estavam lá e os vereadores não iam se indispor com todos. Mas esperamos que com essas testemunhas e novos depoimentos a gente consiga mudar o voto de alguns parlamentares", apostou.

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