As votações na sessão de segunda-feira da Câmara de Vereadores de Jacarezinho (Norte Pioneiro), que reduziram os vencimentos dos parlamentares de R$ 6,2 mil para R$ 4,3 mil, podem ser consideradas os últimos avanços da pauta de reivindicações do movimento popular "Todo Poder Emana do Povo – Jacarezinho em Ação". Pelo menos esse é o entendimento da Mesa Executiva da Casa.
Os eleitores cobram a aprovação de um projeto de iniciativa popular propondo um salário mínimo (R$ 788) como subsídio aos vereadores e não ficaram satisfeitos com a redução de 30% aprovada no começo da semana. Além da redução no holerite, também foi mantido o número de 9 cadeiras para a próxima legislatura. Em entrevista à FOLHA, o 1º secretário Francisco Carlos Moraes (DEM), o Chico Serraia, afirmou que "o movimento pode esquecer, porque trabalhar com esse salário não dá". Segundo ele, os vereadores estão dispostos a contrariar o pedido da comunidade e não devem abrir mão de mais nada nos vencimentos.
Com forte esquema de segurança particular e reforço da Polícia Militar, a Câmara de Jacarezinho realizou a sessão com controle de acesso ao plenário. Centenas de pessoas acompanharam as votações por um telão instalado na frente do prédio. Segundo Chico Serraia, "não é democracia o que está acontecendo, porque por muito pouco uns vereadores não apanharam na saída da Câmara", alegou.
A reportagem também procurou o presidente da Câmara, Valdir Maldonado (PDT), que saiu de camburão ao final da sessão da semana passada, quando retirou da pauta o projeto popular, alegando que a mobiliação era formada por "meia dúzia de gatos pingados", mas ele disse que estava saindo em viagem e não quis conceder entrevista.
A segunda votação sobre o número de cadeiras deverá ocorrer em dez dias. A redução salarial já foi aprovada em dois turnos.

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