A Câmara de Vereadores de Londrina voltou atrás e arquivou ontem a Comissão Processante (CP) que investigava irregularidades na venda das ações da Sercomtel e livrou o prefeito já cassado e afastado Antonio Belinati (PFL) de outra cassação. Ao contrário do que prenunciava dois dias antes, quando rejeitou o arquivamento por 11 a 6, o plenário precisou de pouco mais de duas horas para tomar decisão oposta. Por 12 votos favoráveis, 7 contrários e uma abstenção, os vereadores aprovaram um requerimento da defesa que pedia o arquivamento da denúncia e a extinção da CP. A sessão foi encerrada por volta das 10h30, sob vaias dos representantes que ocupavam um lado das galerias, e aplausos por parte de manifestantes pró-Belinati. O prefeito cassado, que foi à sessão, preferiu não demonstrar qualquer reação, mas se declarou satisfeito com o resultado. ‘‘Prevaleceu o bom senso’’, limitou-se a dizer.
No requerimento, os advogados de Belinati, Antonio Carlos Vianna, Eduardo Duarte Ferreira e Adolfo Góis, alegaram perda de objeto porque os vereadores já haviam cassado o mandato em 22 de junho, através da CP que investigou publicidade excessiva na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Eles alegaram também que na sessão da última quinta-feira, quando a Câmara decidiu pelo julgamento, o advogado Carlos Scalassara, discursou em plenário defendendo a continuidade da comissão, enquanto o parecer apresentado pelo relator Jaci Aguiar (PPB), optava pelo arquivamento.
Scalassara é um dos autores do pedido de formação da CP. Os advogados entenderam que, como a defesa não se manifestou, feriu-se o princípio da ampla defesa. Se o plenário não acatasse os argumentos, a defesa já tinha outra estratégia. Através de recursos tentaria reverter uma decisão não favorável. Vianna informou que o Tribunal de Justiça havia designado especialmente a juíza de Londrina, Oneide Negrão, para analisar pedidos urgentes. Em Curitiba, estava de plantão o assessor da presidência do TJ, Virgílio Castelo Branco.

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