Os dias de vigília de servidores da Sercomtel nas últimas sessões ordinárias e a repercussão do assunto junto à opinião pública derrotaram ontem o Executivo Municipal na tentativa de acabar com a necessidade de plebiscito para a venda da telefônica londrinense. Após mais de uma hora de reuniões a portas fechadas, os sete vereadores autores da matéria que revogava a lei de 1998 a qual instituiu a consulta popular apresentaram à Mesa o pedido de arquivamento em definitivo da proposta. A decisão foi recebida com gritos de apoio e com uma onda de aplausos pelos funcionários que, mas uma vez, lotaram as galerias do Legislativo munidos de faixas.
O projeto da derrubada do plebiscito foi proposto pelo vereador Renato Araújo (PP), que ontem liderou o grupo a pedir o ''sepultamento definitivo'' do documento aprovado em primeiro turno, no início do mês passado. O assunto vinha sendo debatido dentro e fora do Plenário desde a primeira sessão legislativa de 2006, graças a declarações do prefeito Nedson Micheleti (PT) à Folha, em fevereiro, segundo as quais era necessária a extinção do plebiscito para que ele pudesse analisar as condições da telefônica no mercado financeiro. Naquele momento, o petista justificava a preocupação com as dificuldades enfrentadas pela Sercomtel Celular, que fechou o ano de 2005 com um prejuízo de R$ 4,6 milhões. Nos últimos dias, Nedson reforçou em mais de uma ocasião que tinha pressa para que a Câmara desse o veredicto.
''Se houver outro interesse do Executivo (que não a mera derrubada do plebiscito), a iniciativa virá dele, não cabe mais discutir isso aqui na Câmara. Mas que uma nova intenção venha sustentada com dados'', declarou Araújo. O vereador disse que vários membros da Casa teriam recebido ''ameaças'' e constantes ''bombardeios'', além de outras insinuações, na avaliação dele, maliciosas. ''Arquivando esse projeto de forma definitiva, damos tranquilidade aos nossos colegas de Plenário'', argumentou ele, que nega ter havido qualquer desgaste dos parlamentares nesses quase dois meses de embate.
Autor da lei que instituiu o plebiscito, Tercílio Turini (PPS) se disse surpreso com o resultado de ontem, já ao final da tarde cerca de duas horas antes, Araújo afirmara que pediria, no fim da sessão, a volta da matéria para segunda discussão amanhã. ''Fico surpreso com o arquivamento, mas satisfeito. Antes de fazer uma discussão como essa, que implique, lá adiante, em uma possível venda da empresa, é preciso discutir previamente os mecanismos de saúde econômica e financeira dela. Isso não havia sido feito'', sustentou.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), João Henrique Schimidt, também elogiou a iniciativa dos edis, classificada por ele como ''ato de coragem''. Mesmo assim, ressalvou: a entidade vai continuar recolhendo assinaturas para uma ação popular a ser ingressada contra a venda da Sercomtel. ''Já temos 15 mil nomes; após esse debate todo, a comunidade precisa ser ouvida e o prefeito, pensar para não fazer besteira'', concluiu.
Nedson se manifestou por meio de uma nota oficial. Nela, o prefeito lamentou a decisão pelo arquivamento, uma vez que ''o fim do plebiscito daria instrumentos de ação mais eficientes para o acompanhamento permanente da empresa, nos aspectos de potencial de mercado e investimentos''.

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