A Procuradoria Jurídica nem bem analisou a primeira representação referente aos depoimentos do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) ao Ministério Público (MP), protocolada na última segunda, e a Câmara já recebeu ontem o segundo documento do gênero no qual é requerida abertura de processo de investigação contra integrantes do plenário. Diferente da iniciativa de segunda, assinada por 22 pessoas e referente a um caso específico delatado por Bonilha - o suposto ''mensalinho'' pago por uma empresa de transporte coletivo a nove parlamentares -, a representação de ontem, assinada só pelo advogado Vílson Machado, abrange as mais de 20 situações de supostos esquemas de corrupção, elencados por Bonilha, e arrola 14 nomes: os afastados pela Justiça Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Renato Araújo (PP), além dos ocupantes de mandato Antenor Ribeiro (PP), Gláudio Renato de Lima (PT), Jamil Janene (PMDB), Lourival Germano (PT), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Marcelo Belinati (PP), Renato Lemes (PRB), Roberto Fu (PDT), Rubens Canizares (PHS), Sandra Graça (PP) e Sidney de Souza (PTB).
Na representação, Machado separa cada grupo de vereadores citados por Bonilha, nos dois depoimentos prestados ao MP, semana passada, conforme a acusação que foi feita contra eles, aos promotores. Há desde os relatos de suposta compra de votos - de R$ 5,5 mil a R$ 50 mil - para as duas últimas eleições da Mesa Executiva, por exemplo, até a cobrança de propina contra três empresários que teria resultado na prisão de Henrique Barros (sem partido), em janeiro, e nos afastamentos judiciais. Até a fraude na licitação de terrenos da Acesf - na qual Bonilha, segundo o MP, usou laranjas para comprar terrenos no Cemitério São Paulo e revendê-los pelo dobro do preço; Canizares admitiu ter sido um dos laranjas na transação - e a divisão de salários admitida pelo ex-vereador com Canizares, quando este era diretor da Câmara, serviram de embasamento. Todos os vereadores citados, até agora, negam as imputações de Bonilha que baseiam a representação.
No documento, Machado apontou que, ''constatada dificuldade técnica em instalar o competente processo, pelo número de representados ser maior que o próprio número exigido para quórum qualificado, numa possível cassação'', está disposto a desmembrar a representação em outras, individualizadas. Sobre Canizares ser representado por suposta quebra de decoro, ainda que não fosse vereador, à época dos fatos relatados pelo ex-vereador, Machado resumiu: ''Ele foi vereador, não é uma pessoa comum - poderia muito bem ter denunciado o que viu, pelo bom funcionamento da Casa''.
Indagado se tem inclinações político-partidárias, o advogado, que disputou a última eleição para a Câmara - seu símbolo, na campanha de TV, era um machado -, admitiu que é filiado ao PSol e que colocou seu nome à disposição para outubro. ''Faço isso como cidadão que tem direito a filiação partidária. Isso nem quer dizer que eu seja ainda candidato ou não, não teve convenção. O que a Procuradoria disse (que intenção político-partidária afeta a credidibilidade do representante) foi uma besteira: independente de uma candidatura ou não, do cidadão comum, a Câmara deve uma resposta à sociedade''. A representação de Machado será despachada hoje pela Mesa.

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