O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) encaminhou ontem à Câmara de Vereadores de Londrina cópia integral da ação penal por suposto crime de peculato ingressada contra o vereador Joel Garcia (PDT). É nessa ação - por suposta contratação de ''fantasma'' no gabinete, em 2009 - onde consta o pedido de prisão preventiva que, aceito no final de janeiro pela Justiça, gerou mandado de prisão contra Joel, na residência do vereador, há 33 dias. Só esse pedido possui 117 páginas; nele, foi alegada pelos promotores suposta interferência indevida do acusado nas investigações. Já a ação integral contempla também parte que é tida como fundamental para a manutenção do cárcere do vereador: as transcrições das quebras de sigilo telefônico feitas no decorrer da instrução do processo.
De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, o material, que tramita no Fórum sob segredo de Justiça, teve cópia autorizada pelo juiz da 2 Vara Criminal de Londrina, Délcio Miranda da Rocha, uma vez que, há cerca de duas semanas, foi requisitada oficialmente pelo Legislativo municipal. O pedido foi feito pelo corregedor da Casa, Rony Alves (PTB), o qual já dissera que eventual processo administrativo interno de análise sobre o decoro parlamentar só poderia ser analisado a partir da remessa dos autos. Antes disso, porém, a Câmara recebeu duas representações que pedem apuração sobre a suposta contratação de assessora ''fantasma''.
''Na ação constam inclusive as cerca de 15 testemunhas que ouvimos. Mas, em um pedido complementar, requisitamos ao Legislativo também o sigilo sobre as informações fornecidas'', declarou o coordenador do Gaeco.
O corregedor não compareceu à sessão de ontem e não atendeu o celular. Segundo a assessoria de imprensa da Câmara - que admitiu o recebimento da cópia da ação -, Alves está em Curitiba, onde participa de um ciclo de palestras sobre ciência e tecnologia, na condição de vice-presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa. Ainda conforme a assessoria, apenas o corregedor poderá definir quais os encaminhamentos que serão dados a eventual abertura de processo, a partir da documentação expedida ontem.
O advogado de Joel, Maurício Carneiro - que há dias não atende a reportagem - ainda não conseguiu derrubar a prisão do vereador: tanto o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) já negaram cessão de habeas corpus ao parlamentar.

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