A eleição renovou em pouco mais de 36,66% a bancada paranaense na Câmara Federal - dos 30 nomes que a compõem, 19 foram reconduzidos pelo eleitor a mais quatro anos de mandato. Na Assembleia Legislativa (AL), a entrada de 19 novos deputados estaduais em um plenário de 54 cadeiras atualizou um pouco mais de um terço o quadro atual: 35,18% de renovação, e justamente em um ano que culminou na maior crise na história da Casa, graças à investigação dos chamados ‘‘Diários Secretos’’. Na avaliação de cientistas e analistas políticos consultados pela FOLHA, os índices são baixos e refletem a necessidade de avanços, por parte do eleitor, em uma democracia que completou 25 anos.
  Se na AL Londrina ficou com apenas um nome - o de Luiz Eduardo Cheida (PMDB) -, em Brasília, a cidade perdeu a representatividade obtida no pleito de 2004, quando foram definidos quatro deputados federais, com a reeleição, ontem, de três deles: André Vargas, do PT (terceiro mais votado), Alex Canziani, do PTB (quarto) e Luiz Carlos Hauly, do PSDB (12º).
  Para o cientista político Antonio Celso Mendes, de Curitiba, a reeleição da maior parte da bancada federal paranaense e da AL é reflexo de um fator primordial: ‘‘A liderança política, que é intensa e se faz durante todo o período do mandato, o que lhes confere uma uma posição de destaque entre outros candidatos. Isso é ruim para o sistema democrático, mas faz parte da realidade’’, avaliou, para completar: ‘‘Seria razoável se a população fizesse uma renovação mais consistente, mas essa eleição foi muito pobre de ideias e personalista’’. Já o analista político Clodomiro Banwwart considerou que o aspecto econômico foi preponderante em percentuais de renovação que, define, ‘‘é de nos deixar estarrecidos’’.
  ‘‘Na AL essa renovação era ainda mais esperada em função dos escândalos recentes; a repercussão foi mínima. O que temos, de fato, é a mensurabilidade do voto ainda pelo aspecto econômico, com tantos reeleitos’’. Bannwart, por outro lado, citou os ‘‘elevados percentuais’’ de 7,24% de votos brancos e nulos, além dos 16,96% de abstenções, em uma eleição em que não foi nada incomum se ouvir, quase às suas vésperas, o cidadão manifestar publicamente não saber em quem votar para deputado. ‘‘É uma indiferença em relação à percepção do eleitor quanto à importância do processo; por outro lado, uma prática que estava praticamente banida voltou hoje (ontem), com a sujeira de santinhos nas ruas’’, citou. Sobre a Câmara Federal, Bannwart mencionou ‘‘a grande diferença que faz deputados que têm bases e relações próximas com prefeituras’’ e a criação de redutos eleitorais, muitas vezes, fora de suas próprias bases. ‘‘É o caso do Ratinho Junior (PSC), muito bem votado em Londrina, que tirou a vaga de um representante da cidade em Brasília’’, exemplificou. O parlamentar foi o mais votado com 358.924 votos.
  Natural de Jandaia do Sul e com base em Curitiba, Ratinho Junior (PSC), 29, segue para o terceiro mandato eletivo - o primeiro, de deputado estadual - com o discurso de ‘‘humildade’’. O parlamentar atribuiu a seu desempenho político a votação, mas não negou que a influência do pai, o apresentador de TV e empresário Carlos Massa, o Ratinho, tenha alavancado na escolha do paranaense. ‘‘Obviamente que ele ajuda, mas influenciou menos nessa terceira eleição’’. Desde 2008, porém, Massa é proprietário das afiliadas do SBT no Paraná, com foco no eleitorado das classes C e D. Isso pesou na eleição 2010? ‘‘Sei de filhos de pessoas públicas que se elegeram e não deram sequência em um trabalho razoável’’.

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