Câmara reage e quer mais trabalho
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quinta-feira, 03 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaCaindo na realJosé Genoíno: Vamos tratar do Brasil real, da necessidade de mudar as relações de empregoOs deputados que iniciaram um movimento para dinamizar o trabalho na Câmara apostam que no início do próximo semestre a sociedade brasileira verá um novo Poder Legislativo. Vamos tratar do Brasil real, do impasse do aparelho de segurança, da necessidade de mudar as relações de emprego, da reforma tributária e outros temas que já são debatidos pela sociedade, disse o deputado José Genoíno (PT-SP), um dos integrantes do grupo.
Nosso movimento é suprapartidário e não tem cores ideológicas, disse o deputado Israel Pinheiro Filho (PTB-MG). Não envolve nem a oposição nem o governo; envolve os deputados, afirmou. A idéia de se formar o grupo surgiu durante um jantar na casa de Israel Pinheiro, terça-feira.
Israel tinha brigado com o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), por causa da votação da lei das telecomunicações. A Câmara não pode ser só homologatória do Executivo, afirmou durante a briga com Inocêncio. Depois do jantar ficou combinado que cada um dos deputados iria procurar outros, com perfil semelhante, para ampliar o grupo. E, para evitar ciúmes, acertou-se que todos os líderes seriam avisados.
No final da semana passada Miro Teixeira (PDT-RJ) e José Genoíno visitaram o presidente da Câmara, Michel Temer. Falaram do desgaste da Câmara - talvez o maior de todos os tempos, segundo Genoíno -, dos ataques que o Legislativo sofre do Executivo, das críticas dos meios de comunicação e da rejeição da opinião pública. Disseram também que o Congresso votou como nunca nos últimos tempos mas não consegue mudar a impressão de que o deputado nunca trabalha. Temer entusiasmou-se.
O Michel Temer está sinalizando para ser o árbitro desta casa, disse José Genoíno. Segundo o deputado, o fato de Temer ter anulado a votação da emenda constitucional do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) do dia 26 na comissão especial provou que o presidente da Câmara é independente e quer fazer mudança nos costumes políticos. Temer acatou recurso da oposição e anulou a votação do FEF porque, simultaneamente, ocorria uma votação no plenário do Congresso. A nova votação ocorreu na quarta-feira.
Os parlamentares que integram o movimento conhecido como Reage Câmara, para os fluminenses, ou agenda Brasil, para os que não são do Rio, pretendem entregar a Michel Temer a relação de assuntos que consideram urgentes até a próxima terça-feira, em um almoço programado na casa do presidente da Câmara. A partir deste dia o movimento passará a ter caráter institucional, porque será conduzido por Michel Temer, na condição de presidente da Câmara.
Temer reuniu-se ontem com diversos dos participantes do grupo e se comprometeu a entregar à Secretaria-Geral da Mesa e à assessoria da Câmara as sugestões apresentadas pelo agenda Brasil. Haverá um levantamento em todas as comissões sobre a tramitação dos projetos. Aqueles que disserem respeito ao que pedem os deputados do grupo vão passar para debate imediato. Os que não existirem serão transformados em projeto de lei da própria Câmara.


