Câmara quer retomar debate sobre privatização
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Enquanto a Prefeitura admite deixar só para o próximo mandato uma possível discussão sobre a venda da Sercomtel, na Câmara de Vereadores de Londrina os esforços parecem estar voltados para que, até dezembro, o assunto não esmoreça. Vereadores da base de apoio ao prefeito Nedson Micheleti (PT), por exemplo, defenderam ontem a retomada do debate com viés pró-venda - sobretudo, da Sercomtel Celular.
As declarações vieram um dia depois de Nedson anunciar uma ofensiva de mercado como solução para salvar a empresa de uma suposta inviabilidade. Na mesma ocasião, o chefe do Executivo garantiu não ter nenhuma negociação com o Legislativo, a respeito da venda, e admitiu que debate do gênero poderia ficar para seu sucessor.
Apesar da alegada não-negociação, na sessão de ontem, aliados do petista repetiram argumentos dele pró-venda e tomaram para a Casa a responsabilidade de não deixar o assunto esfriar. De autorização para venda à derrubada da lei que instituiu o plebiscito, à realização de uma nova consulta popular, as declarações centraram foco, principalmente, no futuro da Sercomtel Celular - cuja venda foi negada pela população em 2001, e cujo balanço, segundo a administração, tem sido o mais afetado do grupo face à concorrência de mercado.
''O prefeito acha que não precisa debater mais, mas temos que pelo menos salvar a Celular: ninguém duvida de que ela não tem mais condições de competir. Além do mais, são menos funcionários, a pressão (sobre a Câmara) é menor'', afirmou o líder do Executivo na Casa, Gláudio Lima. Para ele, contudo, ainda não se pode falar em revogação de plebiscito. ''Agora é abrir a conversa com os demais vereadores'', completou.
Autor da lei do plebiscito, Tercílio Turini (PPS) acredita que o debate na Casa deve se estender também à sociedade, por meio de audiências públicas. ''Sabemos que o mercado exige competitividade, mas restam inúmeras questões financeiras e legais não respondidas: por que a Sercomtel paga tanto ICMS ao Estado - cerca de R$ 60 milhões/ano -, se está com dificuldades, e teria de haver um novo plebiscito, ou manter aquele? Precisam nos responder'', avaliou Turini.
O presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB), comentou que levaria aos vereadores um estudo desenvolvido pelas assessorias jurídica e contábil sobre os últimos balanços da Sercomtel, no início do ano. O petebista repetiu o argumento de Nedson sobre a relação entre a viabilidade da empresa e o aumento da cartela de clientes, mas salientou que a saúde financeira implica, hoje, na seguinte hipótese: ''A saída é a Celular ser transferida para outro grupo''. Como, caso essa decisão dependa da Câmara? ''Primeiro vou conversar com os vereadores, individualmente, antes de formarem opinião. Mas esse é um debate que deve ser iniciado este ano'', acredita Sidney, que não vê problemas em se finalizar a discussão em ano eleitoral.
Oposição ao Executivo, a vereadora Sandra Graça (PP) reiterou a contrariedade à venda; na opinião dela, aliás, ''o prefeito demorou a fazer o apelo ao cidadão, tardou muito''. ''A Prefeitura amplia o quadro de funcionários da Sercomtel, sobretudo diretores, ao mesmo tempo em que garante que a empresa vai mal de mercado: é paradoxal. A meu ver, o problema é muito mais de administração'', criticou.


