Câmara quer investigar João Iensen
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sábado, 21 de dezembro de 1996
Agência Estado<bR> De Brasília 
Mais um deputado poderá responder a processo de cassação do mandato por falta de decoro parlamentar. O presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), determinou ao vice-presidente, Ronaldo Perim (PMDB-MG), que faça uma sindicância para apurar o envolvimento do deputado João Iensen (PPB-PR) no esquema de corrupção que liberaria concessões de rádios de frequência modulada (FM) no Congresso e no Ministério das Comunicações.
Luís Eduardo solicitou ainda ao presidente da Comissão de Comunicação da Câmara, Ney Lopes (PFL-RN), que investigue a atuação de João Iensen para saber se influenciou votações e se conseguiu, de fato, liberar concessões de emissoras. Iensen afastou-se da Comissão de Comunicação em novembro. Ele é filho do ex-deputado Matheus Iensen, autor da emenda que na Assembléia Constituinte assegurou o mandato de cinco anos para o ex-presidente José Sarney.
Há oito dias a Mesa da Câmara encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça processo de cassação do deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO), acusado de ter tentado obter comissão de 4% da Construtora Andrade Gutierrez, para manter no Orçamento de 1997 verba para a continuidade das obras do Açude Castanhão, no Ceará. O deputado Marquinho Chedid (PSD-SP) também responde a processo de perda de mandato. Se João Iensen também for processado, serão três os que poderão ser cassados em 97. Todos por falta de decoro.
A sindicância que vai investigar as atividades de João Iensen só poderá ser aberta depois do dia 2. É que a Câmara entrou de recesso. Reabre no dia 2 só para dar posse aos suplentes dos deputados que se elegeram para as prefeituras. Ronaldo Perim está substituindo o corregedor-geral da Câmara, deputado Beto Mansur (PPB-SP), que vai renunciar ao cargo para assumir a Prefeitura de Santos. A sindicância que incriminou Pedrinho Abrão foi presidida por Ronaldo Perim.
João Iensen fez o mesmo que Pedrinho Abrão, quando houve a denúncia da cobrança de propinas: sumiu. Todas as informações passaram a ser dadas por seu advogado, Aluir Zanelatto, de Curitiba. Por telefone, Zanelatto disse estar tomando duas providências imediatas: a desqualificação das fitas gravadas, que incriminariam o deputado, por considerar que são provas ilícitas, condenadas pela Constituição; e descobrir quem é Naura Beatriz Severo, que se diz chefe de gabinete de Iensen nas negociações para a liberação das concessões de emissoras.
Naura não é funcionária nem da Câmara nem do gabinete de João Iensen. Ela desligou-se do Secretariado Parlamentar no dia 15 de agosto de 1995. Seu último registro na Câmara a inclui no gabinete do deputado Eraldo Trindade (PPB-AP). O presidente da Câmara disse ontem que lamentava pelo fato de Naura não ser funcionária da Câmara. Gostaria de assinar o ato de sua demissão sumária, disse Luís Eduardo.


